sábado, 8 de junho de 2013

ASSOBIO DOURO 2009


ASSOBIO  DOURO 2009

FlávioMPinto

O DOURO é uma das mais antigas regiões demarcadas do mundo e importante região produtora de Portugal. Com seus vinhedos estabelecidos em socalcos e patamares, verdadeiros degraus íngremes  na região do Esporão, no vale do rio Douro,  a Quinta dos Murças , uma histórica propriedade, nos brinda com esse Assobio Douro 2009 expressando fielmente as castas que o compõem. Touriga Nacional, Touriga Franca e Tinta Roriz, todas autóctones de Portugal provenientes dos  solos xistosos da região. Os vinhedos estão localizados numa encosta, a mais alta do Esporão e que  leva o nome de Assobio.

É um assemblage bem português.

Cor forte, violeta, bouquet com aromas de cerejas e amoras frescas já se apresentando bem frutado.

Na boca apresenta taninos bem domados, finos e de uma boa elegância. É um vinho fresco, alegre, bem vivo, com morangos á vista além das cerejas e amoras. A pouca passagem por carvalho não deixou marcas nem sinais visíveis além de fixar os taninos.

Um vinho muito distinto com boa persistência e final duradouro. Um jovem e moderno vinho europeu.

Esta é a minha opinião.

terça-feira, 4 de junho de 2013

AS MULHERES E O VINHO


AS MULHERES E O VINHO

FlávioMPinto

Reconhecidamente a Humanidade progrediu , sempre, com a mulher ao lado do Homem em todas as suas conquistas. Nos mais diversos setores andam juntos, capitaneando o progresso da sociedade.

Diz o ditado que ”... por trás de um grande homem sempre anda uma grande mulher.”

No universo dos vinhos não seria diferente e a colaboração das mulheres foi fundamental para grandes e importantes avanços no setor.

Uma das primeiras intervenções foi durante o reinado de Carlos Magno- o Charlemagne (742-814), na França. Uma das rainhas, ele teve cinco esposas, não se conformava em vê-lo todo manchado de tinto após beber vinho. Então conseguiu que o rei proibisse o plantio de uvas tintas no local onde comprava seus vinhos. Esse lugar era a Borgonha que passou a plantar só espécimes brancas. Sem querer a rainha permitiu que aflorasse o melhor terroir de uvas brancas da Terra, que depois se estendeu á Champagne. E o Corton Charlemagne é a maior expressão das uvas brancas da Borgonha e do mundo, a partir do surgimento da Chardonay.

Sem sombras de dúvidas, a bebida mais feminina é o Champagne. O vinho -líquido das estrelas de Dom Pérignon-, pela sua personalidade, é o que mais combina com a alma feminina.

 Volátil, efervescente, explosivo, doce na medida, concentrado, nos apoia e alegra na tristeza e nos brinda nas vitórias.

Quase mil anos depois, o destaque foi para Nicole-Barbe Ponsardin. Alguém já ouviu falar em Veuve Clicquot? pois bem, é ela mesma. Casada com François Clicquot em 1798, enviuvou cedo em 1805 e assumiu os negócios do marido, que eram na área bancária, produção lã e de champanhes . Nesta gestão, além de criar a maior marca de champanhe que se conhece, a Veuve Clicquot Posardin, introduziu um método para retirar as impurezas após a segunda fermentação: o “dégorgement” ou degola no modo tradicional, champenoise, de fazer champagnes. Para isso as garrafas eram colocadas na vertical, em pupítres, uma mesa de madeira pouco  inclinada, com buracos que aprisionavam a garrafa,  com o gargalo para baixo viabilizando a decantação das impurezas no bico. A partir daí o bico era congelado e as impurezas expulsas por pressão.

Outra referência importante foi Jeanne Alexandrine Pommery, que também após enviuvar, assumiu os negócios do marido. Era uma purista e enfatizava a necessidade de se manter a champagne pura. Assim que, foi incentivadora do método Brut, com os licores de expedição contando com parcelas mínimas de açúcar mantendo o sabor original da bebida, para o gáudio dos que amam a bebida de Dom Pérignon.

Podem ainda ser citadas outras grandes damas francesas do Champagne, de nomes facilmente reconhecíveis: Matilde Perrier , a da água, e Elisabeth Bollinger.

Santé!

domingo, 2 de junho de 2013

FACES by LIDIO CARRARO 2009


FACES by LIDIO CARRARO Tinto 2009

FlávioMPinto


Dos campos de Encruzilhada do Sul, surge o FACES tinto, da Lidio Carraro, que já teve o seus vinhos  escolhidos como os oficiais no Pan-Americano de 2007,  e agora também como o vinho oficial da Copa do Mundo de Futebol 2014.

A Lidio Carraro é uma vinícola boutique de Encruzilhada do Sul-RS que prima por fazer seus vinhos dentro de uma filosofia purista de mínima intervenção a começar pela substituição de bombas de recalque para os líquidos por ação da gravidade.

Num blend especialíssimo de Cabernet Sauvignon, Merlot e Petit Verdot, não passa por filtração nem por madeira, expressando muito bem não só o terroir como o mix de uvas que compõem o blend. Segue o conceito purista de reduzida intervenção no terroir como na vinificação.

De cor violeta marcante, exala aromas de framboesas e violetas com lágrimas fugazes indicando sua pouca untuosidade. Mas com presença marcante de seu teor alcoólico de 13%.

Na boca, expressa sua jovialidade e elegância de modo ímpar. Complexo e elegante deixa a mostra os sabores das uvas que o compõem. Dá para sentir-se o peso da Petit Verdot nitidamente com seus apimentados para dar estrutura ao vinho, o sabor da Cabernet Sauvignon no encorpamento do blend, tudo amaciado pela Merlot. Com bom volume, enche a boca, com notas de especiarias.

Um vinho encorpado, potente, embora suave, e não muito fácil de entender. Um bom contraste. Muito distinto. É para poucos.

Final duradouro, envolvente e harmonioso.

O Brasil está bem representado na Copa do Mundo com o FACES by LIDIO CARRARO tinto.

Esta é a minha opinião.

domingo, 26 de maio de 2013

O GRANDE VINHO DA CAMPANHA


O GRANDE VINHO DA CAMPANHA

FlávioMPinto

Já chegou a hora de dar um nome ao grande vinho da campanha. Estamos acostumados aos rótulos bordaleses de “Gran Vin de Bordeaux”, e não seria estranho a região nominar seu expoente, embora os franceses tenham quase 2 mil anos de cultivo e nós pouco mais de 50.

Considerando ainda  que não se tem um blend típico da fronteira, a região da Campanha teria de escolher um representante. Uma uva, para início. Pode ser uma tinta e outra branca.

Produção aliada a aceitação popular, entenda-se volume de vendas, seria o parâmetro para tal, considerando que o forte da produção é de vinhos varietais, monocastas.

A meu ver teríamos a concorrer as tradicionais Merlot, Cabernet Sauvignon e Tannat entre as tintas e a Chardonay , incontestável nas brancas ante o sucesso dos espumantes da região da Campanha.

Um terroir sempre é identificado por uma uva ícone em qualquer parte do mundo. Esta serve de guia para o vinho ícone, seja ele varietal ou blend. A partir daí teríamos um projeto de AOC, Appellation d’Origen Controlée, como bem definem os franceses seus vinhos de origem localizada , reconhecida e certificada.

Agrega-se a isso o tipo de vinho mais conhecido e que faz a cara do lugar. A Almadén já fez isso, visionariamente, a mais de 30 anos.

A região da Campanha ainda é uma região nova para produção de vinhos finos, mas já possui suficiente personalidade pelo que produz.

Quem tomaria a iniciativa de propor?

CANESSA FAMIGLIA CARMENÉRE RESERVA 2011


CANESSA FAMIGLIA CARMENÉRE RESERVA 2011

FlávioMPinto





Um Carmenére simples e honesto, para início de conversa.

De cor violeta escura, desprendeu aromas frutados de cerejas frescas e framboesas desde a retirada da rolha dando sinais de vivacidade. É do Vale do Curicó-Chile e produzido pela Viña Ralco.  Foi encontrado em Canela –RS e é um  Reserva como todo chileno vindo para o mercado brasileiro.

Na boca se manifesta bem, medianamente encorpado, sem arestas e sem amargor. Não me parece ter passado por carvalho, se passou foi pouco tempo,  e processos de filtração, mostrando sua verdadeira face, sendo que o teor alcoólico passa despercebido-13%.

É um vinho redondo, macio, confortável e fácil de se gostar. Possui um final curto, talvez por sua pouca tanicidade.

Reafirmando, um vinho simples e honesto.

quinta-feira, 23 de maio de 2013

A CASTA IDENTIDADE


 A CASTA IDENTIDADE

FlávioMPinto

Em todo terroir, nos mais diversos países, uma casta se destaca na produção de vinhos e identifica o lugar dando origem a vinhos muito distintos. Em Bordeaux, no norte, a cavaleiro do rio Dordogne pontifica a Merlot e no sul, a cavaleiro do Garône, que faz as honras é a Cabernet Sauvignon em blends exclusivíssimos.  No Rhône a Syrah ou Shiraz. Na Califórnia a Zinfandel. No Uruguai a Tannat. Na Borgonha a Chardonay nas brancas e a Pinot Noir nas tintas. A Baga na Bairrada em Portugal e a Touriga Nacional no Dão. A Sangiovese na Toscana. Ainda a Tempranillo nos terroirs espanhóis da Ribera Del Duero e Rioja.

Uma identificação que define o caráter do produto feito naquelas paragens. Uma casta ícone que puxa a produção e a personalidade dos vinhos produzidos. Quem dita isso é o terroir. É o terreno com seu clima e características geológicas.

O Brasil, que produz vinhos recentemente, comparando com os grandes centros, ainda não identificou qual uva se dá melhor em cada terroir, embora tenha-se indícios de tal.

O que nos parece, é que no Brasil, se quer produzir todo tipo de uva em qualquer terroir sem se preocupar com a identificação da casta com o lugar.

Os nossos terroirs são ecléticos produzindo com a mesma intensidade e qualidade todas as castas? Absolutamente não.

Sempre uma casta se destaca , informando que ali se deu bem. Não temos uvas autóctones, mas uvas internacionais de grande aceitação nos terroirs brasileiros.

Basta ver a produção e aceitação da Tannat nas tintas na região da Campanha gaúcha assim como a Chardonay nas brancas. As tintas Merlot e Cabernet Sauvignon também estão nessa briga.

A identificação da uva líder qualifica o terroir, dignifica o público consumidor e apreciador da marca prestigiando-o, identificando-o.

“Vou beber um Palomas!” Visionariamente a Almadén já prenunciava isso nominando seus vinhos com o nome do terroir como bem fazem os franceses. Era o Rosé de Palomas, o Blanc e o Rouge de Palomas, vinhos que não deixavam dúvidas quanto á casta que o compunha.

A íntima ligação da casta com o terroir dá o nome ao vinho e como é bom chamar o vinho pelo nome!

quarta-feira, 22 de maio de 2013

ARGIANO ROSSO DI MONTALCINO 2008


ARGIANO ROSSO DI MONTALCINO 2008

FlávioMPinto



Em primeiro lugar a Argiano SRL, Italia, fundada em 1580,  é uma das mais respeitadas vinícolas de Montalcino e por conseguinte, produtora de Brunellos de grande reputação.

Mas também produz um segundo vinho, com as mesmas Sangioveses, o Rosso di Montalcino, um fantástico mini brunello. Um legitimo representante da Toscana, feito com as mesmas uvas dos Brunellos, só que de áreas não certificadas para Brunellos. Mas é de Montalcino e estamos conversados.

Herda todas as principais características dos seus irmãos Brunellos a começar pela bela cor: um violáceo que dá vontade de nos atirarmos nela.

Aromas  frutados presentes nos dão ideia do que vem a seguir nos sabores. Cassis misturado com frutas vermelhas como cerejas e ameixas maduras dão o toque sofisticado ao produto. Primoroso. Impecável. Não foi á toa que a vinícola foi quem recebeu a primeira designação de DOCG para um vinho , o seu brunello.

É elegante e com uma aura de aristocracia sem paralelos. Complexo,com mil e um sabores se apresentando e um legítimo irmão dos Brunellos DOCG. Os sabores de ameixas passificadas não nos deixam mentir.

Muito persistente deixando um final marcante. Esta é a minha opinião.

OBS: a Argiano SRL é de propriedade recente de um brasileiro: André Esteves, dono do Banco BTG Pactual.