sábado, 22 de agosto de 2015

ALMADÉN RESERVA ESPECIAL CABERNET SAUVIGNON 2005

ALMADÉN RESERVA ESPECIAL CABERNET SAUVIGNON 2005
FlávioMPinto
Um dos últimos grandes vinhos feito pela  Almadén, ainda sob comando da Pernod Ricard. Digo extinta, pois os grandes vinhos são passado distante para aquela indústria vinícola que já foi ícone na vitivinicultura brasileira e que parece ter esquecido de fazer grandes vinhos.
Ao destampar a garrafa, a rolha muito bem conservada, saíram belíssimos aromas de framboesas maduras que inundaram a cozinha, já prenunciando o que vem pela frente. Vamos deixá-lo decantando de hoje- 18 de agosto, 21 hs, até amanhã.
Hoje, 19 de agosto de 2015-1200 horas, o Almadén Reserva Especial Cabernet Sauvignon 2005 sai de sua clausura de mais de 10 anos e vai para o consumo.
Cor violeta com halos também violáceos, não revela sua idade. Lágrimas bem pronunciadas anunciando sua untuosidade. Já bem acalmado, deixando para trás a agressividade da jovialidade, apresenta-se suave, sem rugosidades e taninos quase que desapercebidos. Mentolado, já sem o resquício da madeira, mostra-se a descoberto. Traços muito fortes de cassis, framboesas, groselhas e balsâmicos.
Cálido, bem acolhedor.
O teor alcoólico de 12% se fez presente, deixando uma suave marca.
Um vinho já caminhando para seu ocaso, mas que deixa sua marca bem forte. É como aquelas senhoras bem conservadas que não querem revelar suas idades.
Costumo degustar uma garrafa em quatro dias e este, a partir do terceiro dia se mostrou completamente diferente. Pareceu ressuscitar. Um frescor indefectível e um sabor de Cabernet bem jovem apareceram. Lágrimas parcimoniosas surgiram e revigorou-se sua tanicidade com sabores de morangos e cerejas maduras na boca. Incrivelmente um novo vinho surgiu. O mentolado desapareceu. Um vinho magistral apareceu.
Uma elegância e um perfil aristocrático que estava escondido e não revelado surgiu.Talvez eu não tenha feito uma boa aeração, não permitindo que o vinho se oxigenasse como deveria. Com certeza foi isso.
 O Almadén Reserva Especial Cabernet Sauvignon 2005 agora se apresentava como um outro vinho potente e estruturado. Mas uma pena, pois este produto não vem mais. Agora é só saudades.  
Foi a maior prova de que podiam ser feitos vinhos de exceção na fronteira gaúcha.
É a prova de que podem ser feitos vinhos de qualidade indiscutível com a matéria prima que se tem ás mãos: os espetaculares e antigos vinhedos de Cabernet Sauvignon de Palomas/Livramento.
Vinhos baratos e de saída rápida não trazem nem agregam tradição e qualidade á cultura vitivinícola e aspectos essenciais ao vinho.

 A vitivinicultura sobrevive com grandes produtos e tradição, aristocracia, cultura.
Esta é a minha opinião.
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quarta-feira, 12 de agosto de 2015

CHÂTEAU MONT-REDON 2008 CHÂTEAUNEUF DU PAPE

CHÂTEAU MONT-REDON CHÂTEAUNEUF DU PAPE 2008
FlávioMPinto
Feito a quatro gerações em um terroir muito singelo no Vale do Rhône.
Um tradicional Châteauneuf. Cor violeta , aromas de frutados  bem salientes. Framboesas, cerejas, amoras.
As uvas que compõem o blend- Grenache, Syrah, Mourvédre, Cinsault, Counoise, Mouscardin e Vaccarése, fazem parte do blend Châteauneuf Du Pape.
Medianamente untuoso representado nas lágrimas furtivas.
Na boca o delicado sabor de alcaçuz realça o frutado.
Medianamente encorpado, taninos bem domados e integrados no conjunto, boa acidez.
Bem estruturado e harmônico. Um ótimo vinho.
Deixa um final bem agradável.
Esta é a minha opinião.
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sábado, 1 de agosto de 2015

A INFIDELIDADE A UM VINHO

A INFIDELIDADE A UM VINHO
FlávioMPinto
Nada melhor do que uma boa surpresa ao degustar um vinho. Além de ser uma excelente companhia, o vinho nos brinda  com a incerteza somente decifrada nos primeiros goles.
Muitas são as pessoas que são fiéis a um produto. O medo do desconhecido é um grande trauma humano. Temos horror aquilo que nos foi desagradável e a situação oposta absolutamente verdadeira.
Com o vinho não seria diferente. A grande diferença é que o vinho só pode ser avaliado após aberto, ou seja, após a compra, no sossego do lar, ou num restaurante, sentir seu valor positivo ou negativo para nós.
Mesmo com a quantidade de informações existentes no comércio, bares, restaurantes,  muitas são as pessoas que se assustam ao se depararem com uma carta de vinhos e encontram dificuldades em escolher.
Por isso sempre bebem o mesmo. Sim, bebem e não degustam como deveriam.
Sair da mesmice e aventurar-se na busca de novos sabores é algo muito gratificante, melhor ainda quando nos deparamos com um vinho que desconhecíamos e que nos trás enorme satisfação.

terça-feira, 21 de julho de 2015

MADONNA PROSECCO DOC

MADONNA PROSECCO DOC
FlávioMPinto
Um espumante bem italiano. A uva Prosecco, do Vale do Vêneto, nos brinda com fantásticos produtos.
Amarelo palha, com toques esverdeados, 11% de teor alcoólico, suave, nos apresenta cítricos bem pronunciados nos aromas.
Na boca, bem mineral, com boa acidez que enche a boca. Maças verdes e laranjas em destaque.
Deixa um final bem mineral e agradável.
Esta é a minha opinião.
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segunda-feira, 20 de julho de 2015

PORQUE ESPUMANTCHE!

PORQUE ESPUMANTCHE!
FlávioMPinto
Estávamos numa degustação com o grupo do Núcleo Cultural do Vinho na Fundação ECARTA- Porto Alegre,  quando surgiu o assunto espumantes e uma confrade-Angela Pagot, levantou  , no meio da discussão, o nome Espumantche.
Para mim foi como um amor á primeira vista. Gostei e passei a divulgá-lo onde quer que fosse. Numa das postagens na Internet, um conhecido , da área dos vinhos, me questionou “porque a vinícolas ainda não haviam pensado nisso”.
Sim, um nome ao nosso espumante. O espumante é o único vinho que leva nome próprio e , no Brasil, sua origem é o Rio Grande Sul com a colônia italiana, tanto que a Peterlongo, homologou o nome Champagne muito antes da Appellation francesa, sendo a única vinícola no mundo que produz Champagnes fora da região de Champagne.
O Champagne é um vinho diferenciado, o mais sofisticado de todos os vinhos. Leva com ele toda história da região produtora como um atrativo junto do seu inigualável aroma e sabor.
O Rio Grande do Sul se caracteriza por ter um povo diferenciado. Vale dizer que a carne seca aqui tem nome. É charque e faz o prato mais típico do Estado: o arroz de carreteiro. Já no norte do país essa mesma carne seca chama-se simplesmente carne seca.
Espumantche leva o Tche do gaúcho. Palavra tão cara no trato  diário como na tradição do Estado.
Chamar um produto absolutamente nosso- 99% da produção brasileira  é no Estado- com um nome que o identifica com nossas tradições é um achado.
 Muito feliz foi a confrade quando se referiu ao espumante como ESPUMANTCHE!. O pessoal das áreas de marketing das vinícolas e associações poderão encontrar outros motivos ainda maiores para adoção desse nome.
Que ele levará  a tradição do Rio Grande onde passar é inegável. Assim como o Champagne e a Cava.
Que chamemos o nosso espumante por Espumantche e que seja mais um motivo de orgulho gaúcho!

MICHEL ROLLAND BORDEAUX 2012

MICHEL ROLLAND BORDEAUX 2012
FlávioMPinto
Um magnífico vinho de um dos melhores vinhateiros do mundo: Michel Rolland, que assessora inúmeras vinícolas brasileiras.
Este vinho é francês, de Raymond Huet. Vem da região de Landiras , no Gironde, margem direita do Dordogne, onde predomina a Merlot.
Cor escura , sombria, é frutado e com aromas de madeira e frutas negras.
Na boca destaca-se a ameixa preta bem madura e toques de especiarias.
Elegante, sóbrio, muito comportado. Encorpadíssimo, como todo francês que se preza, não informa que tipo de uva compõe o blend.
Um vinho extremamente equilibrado. Seus 13% de teor alcoólico e notas fortes de baunilhas indicam preponderância da Merlot.
Aveludado, macio, com sua tanicidade domada pela presença marcante da Merlot, é extremamente agradável na boca.
Deixa um final marcante e pouco tânico.
Esta é a minha opinião.
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sábado, 18 de julho de 2015

UM PASSEIO PELA ITALIA NA SOMMELIER VINHOS



Um passeio pela Italia na Sommelier Vinhos
Personagem cada vez mais comum nas telenovelas e, também, na vida real, o sommelier é alguém que ajuda as pessoas a escolherem vinhos para harmonizar com diversos pratos. A Sommelier Vinhos, loja especializada na bebida com sede em Porto Alegre, tem entre seus principais princípios a prestação de serviços aos amantes de Baco. A origem do nome do estabelecimento, aliás, foi inspiração no nome da categoria. Quando a companhia foi criada, há sete anos, esse profissional ainda não tinha a visibilidade e importância que tem atualmente e era pouco conhecido para boa parte dos consumidores de vinhos.  Esculpida pela filosofia do serviço, a unidade no Bairro Bela Vista conta com uma sala de degustação que comporta até 15 pessoas. Mas o trabalho pela multiplicação do hábito de tomar vinho não está preso ao espaço físico. A Sommelier também é responsável pela carta de pelo menos 150 restaurantes da capital gaúcha. "É possível encontrar nossos rótulos no elegante Hashi ou mesmo em uma das galeterias mais simples da cidade", orgulha-se Cledi Sodré, proprietário da loja.  
"O grande desafio é apresentar uma carta que seja atrativa para o consumidor oferecendo uma variedade de regiões, uvas e produtos", ensina. O empresário acredita que uma boa carta deva trazer, na medida do possível, bebidas que sejam muito acessíveis ao bolso do consumidor custando algo em torno de até R$ 12. Essa faixa de preço ajudaria a popularizar a bebida no país e faria com que o brasileiro se tornasse um cliente cativo de lojas especializadas. Nem mesmo na região sul, polo produtor da bebida, esse hábito não é lá muito arraigado. "O gaúcho, em geral, afirma conhecer vinho, mas não consome na mesma proporção que deveria", atesta Sodré. Prova disso é confrontar o número de lojas especializadas em Porto Alegre, por exemplo, com Curitiba. Enquanto a capital gaúcha tem cerca de sete, a capital dos paranaenses conta com o triplo de opções. "Oferecer vinho em taça em restaurantes e bares, garrafas baby ou mesmo degustações – ainda que isso não seja o ovo de Colombo – ajudaria muito. Acessibilidade ao produto é a chave deste negócio", prognostica Sodré. Tanto é verdade que a loja oferece vinhos para todos os gostos – e bolsos. O italiano Solaia custa R$ 2.432 enquanto o chileno Errázuriz Reservado Carménère sai pela bagatela de R$ 27,90.
 No portfólio da Sommelier - site-https://www.sommeliervinhos.com.br/
estão nada menos que 1200 rótulos – duas centenas deles nacionais. Entre as possibilidades verde-e-amarelas estão produtos da vinícola Aracuri, de Muitos Capões, e da Almaunica, de Bento Gonçalves. Sodré tem o costume de procurar por raridades de pequenos produtores ao redor do mundo. 
A viagem pela Itália
Ao visitar a Sommelier, foi possível passear pela Itália sem sair do lugar. Uma pequena amostra disso é o exercício que foi feito pelos membros da Bom Vin, confraria que reúne jornalistas especializados no segmento, na terça-feira (14).

 A degustação às cegas iniciou pelo Chianti Rocca di Castagnoli  2012, feito com a casta Sangiovese, Conolino e Canaiolo na Toscana. As lágrimas pronunciadas já indicam boa untuosidade. Os aromas são intensamente frutados, com notas de cereja preta, cereja e notas balsâmicas. O sabor é pleno, macio e com discreta persistência. Medianamente encorpado, é leve. É versátil e fácil de beber e combina com massa ao molho de tomate.

O segundo vinho foi  o Valpolicella Clássico Villa Spinosa DOC , de Verona. Vinho símbolo do Vêneto. Villa Spinosa está situada em Jago, entre Negrar e Marano, em  Valpolicella, numa das melhores áreas para a produção no Vale do Vêneto. A exposição excelente, um microclima favorável, a boa composição do solo e altitude ideal fazem deste um ambiente perfeito para uvas, cerejas e azeitonas. Rodeada por um jardim de estilo italiano, a Villa foi construída por volta dos anos de 1800 pelo engenheiro Giacomo Guglielmi, predecessor da família Spinosa.  Em 1980, Enrico Spinosa deu início a uma atrevida obra de recuperação. Com a reforma das casas rústicas, da vinícola, implantação de novos vinhedos e por fim transformar a antiga empresa familiar em moderna e racional, através da harmonização de todos os processos desde a vinha até a garrafa. A Azienda Vinícola Villa Spinosa possui 18 hectares de vinhedos, que dão origem a produtos singulares como esse rótulo feito  com uvas  Corvina Veronese e Corvinone e que apresenta notas intensas de frutas vermelhas como cerejas e ameixas. Perfumado, jovem, elegante e leve. Medianamente encorpado.
 O terceiro rótulo da noite foi outra casta típica do Bel Paese: o SUD Primitivo di Manduria 2010, da vinícola Feudi di San Marzano, de Puglia. Esse vinho escuro, violáceo e concentrado, tem aroma opulento que lembra cerejas maduras e ameixas, com notas agradáveis de cacau e baunilha. É estruturado, untuoso e complexo, que termina com notas de doçura e com um final intenso toque macio típico da Primitivo. É um pouco alcoólico com seus 14% de teor. Esse vinho é o par ideal de carne de porco defumada ou um prato a base de bacon.

O siciliano Sedara Nero D’Avola 2011, da vinícola Donnafugata,  foi o quarto da série. Com mais de 150 anos de tradição na produção de vinhos na região, a Família Rallo criou o projeto Donnafugata, em busca da máxima qualidade. O nome é uma citação literária do romance Il Gattopardo, de Giuseppe Tomasi di Lampedusa, depois transformado em filme por Luchino Visconti, uma homenagem de uma família comprometida com vinhos e cultura. Com muita competência, os Rallo elaboram vinhos finos e modernos com uvas autóctones como a Ansonica Branca e a Nero D’Avola, a uva tinta mais representativa da Sicília. Esse rótulo apresenta coloração rubi com reflexos granada, nariz de boa intensidade com sensações de tabaco, especiarias e notas minerais. Lágrimas fugases indicam pouca untuosidade em seus 13,5% de teor alcoólico. Na boca remete a frutas, principalmente cereja e amora com final de boca persistente. Encorpado. Destaque para madeira no envelhecimento.
 Por fim, foi degustado o Gattinara Travaglini DOCG 2006 , feito com a casta Nebbiolo, na região do Piemonte, norte da Itália. A Travaglini é uma vinícola histórica local. Fundada em 1920, ela é detentora de 55 dos 90 hectares da minúscula comuna de Gattinara, menor DOG da Itália. A qualidade de seus vinhos, produzidos manualmente até hoje, é tão notável que lhe permitiu posição de destaque entre a concorrida lista dos Top 100 de 2007 da Wine Spectator. Vinho tinto referência na DOCG Gattinara, esse 100% Nebbiolo revela grande complexidade aromática e elegância. Destacando-se por notas de frutas vermelhas e toques florais, possui grande aporte de tabaco e toques de couro. No paladar é encorpado e estruturado, com taninos finos e firmes e boa acidez. Complexo, deixa um final profundo. Seus 13,5% de álcool garantem uma boa guarda. O vinho passa 24 meses em barris de carvalho da Eslovênia e três meses de afinamento em garrafa antes de ser comercializado. Esse clássico piemontês harmoniza muito bem com ossobuco acompanhado de polenta.