domingo, 22 de abril de 2018

MAIS UMA DOS VINHOS!

MAIS UMA DOS VINHOS!
FlávioMPinto
Dias atrás fui surpreendido, numa degustação de vinhos, sobre um tema interessante: está ocorrendo um movimento contrário as grandes marcas mundiais e vinhos longevos de tradição. Ninguém sabe de onde surgiu.
É, surge cada uma a cada dia que passa, mas lutar-se contra o que é mais tradicional nesse mercado, que vive de tradição, para mim, beira insanidade.
As grandes marcas, os grandes châteaux franceses estão sendo brutalmente atacados, pela corrente contrária, com o argumento de que poucos vão comprar um vinho e não vão aguentar 20/30 anos para esperar que ele chegue ao seu potencial máximo para consumo!
Semana passada tive uma experiência interessante: fui degustar um vinho conhecido e não gostei. Vaticinei que a permanência nas barricas alterara brutalmente o caráter da cepa engarrafada e desvirtuara o produto. Pois bem. Arrolhei novamente e guardei. Não era um vinho de características longevas, muito menos constante dos portfólios de vinhos sofisticados que mereceriam uma decantação. Era um vinho simples desses encontrados em qualquer supermercado, mas com um preço pouco acima da média indicando sua qualidade.
Degustei quatro ou cinco dias depois e seu comportamento alterara-se brutalmente. Para melhor, claro.
Daí vem a comparação com os vinhos longevos franceses e italianos, principalmente. Essa espera faz a diferença e diferencia “os adultos das crianças”, como bem se diz nos ditos populares.
A oxigenação ou aeração é uma medida que só o tempo diz os benefícios que apresenta. O nosso paladar é que agradece! 
Vejamos, o mercado dos champanhes move-se pela marca! Ninguém se preocupa se ele foi produzido de Chardonnay, Pinot Meunier, Pinot Noir….O que importa é a marca que consegue produzir milhões de garrafas daquele líquido fantástico com mesmo nível de qualidade! 
Os borgonheses dominam todo o ciclo de produção dos espumantes franceses chegando ao ponto de limitar a data e fim da colheita e a quantidade de litros resultante da primeira prensagem. Numa Appellation todos seguem esse caminho em prol da manutenção histórica da qualidade. Tradicionais produtores seguem procedimentos rotineiros seculares com inegável aceitação do mercado.
Qual é a lógica de renegar procedimentos tradicionais dos produtores e chegar ao ponto de tentar conflitar procedimentos dos degustadores na busca de um melhor aproveitamento do produto?
Não tenho dúvidas que é uma guerra mercandológica e imediatista. 
Só quem entra nessa guerra é quem nunca  degustou um vinho longevo ou tem interesses inconfessos de mercantilizar seu vinho jovem.
Na Argentina, aconteceu fenômeno semelhante: tentaram desmistificar o consumo do vinho barateando-o e resumindo os requintes de degustação. O resultado é que lá o consumo baixou drasticamente,  de 58 para 18 litros per capita anual, tendo os consumidores passado para a cerveja! O tiro saiu pela culatra!
O vinho é um bem mundial e a bebida mais antiga da Humanidade, resguardada na presença nos cerimoniais mais antigos que se tem notícia.
Vinho é tradição, aristocracia, história, trabalho incansável na busca da qualidade. 

Vinho é a bebida dos reis e assim merece ser tratada.

sexta-feira, 20 de abril de 2018

VENTISQUERO ALMA DE LOS ANDES SYRAH 2014

VENTISQUERO ALMA DE LOS ANDES SYRAH 2014
FlávioMPinto
 Um vinho muito agradável de degustar como a maioria dos chilenos de hoje.
A Syrah parece que se deu muito bem no vale do Apalta em Maipo e aí temos esse Alma de los Andes muito competitivo.
De cor púrpura bem definida e com lágrimas parcimoniosas , exala aromas frutados de frutas vermelhas bem vivas. 
Na boca os aromas se desfazem em frutas silvestres cálidas, mas não chegando a compotadas.
Medianamente encorpado é muito elegante com  equilíbrio na sua estrutura. Nada se apresenta como destaque, sendo seu equilíbrio o destaque.
Taninos bem domados e a passagem por madeira deu a suavidade necessária á Syrah do Alma de los Andes.
Sua acidez acentua sua vertente gastronômica.
Compotados e chocolates suaves se manifestam não incomodando os 13,5% de teor alcoólico que compõem o bem estruturado Alma de los Andes Syrah 2014.
Mais um chileno de respeito fortalecendo o intenso trabalho dos enólogos e vitivinicultores daquele país. 
Não podemos esquecer dos terroirs privilegiados das terras andinas. Tudo aliado a uma política de implantação de um agronegócio vinícola de vertente competitiva pela administração chilena a pouco, mais de 40 anos. O resultado está na nossa frente.
Deixa um final frutado e consistente.

Esta é a minha opinião.

MIOLO CABERNET SAUVIGNON RESERVA 2016

FlávioMPinto
Um vinho que me causou uma enorme surpresa. Na primeira investida não gostei. Achei-o tânico e muito aframboezado, talvez pela passagem excessiva na madeira. 
Bom, deixei-o decantar e sofrer uma boa oxigenação e o panorama mudou completamente. 
Após esse processo quase obrigatório em vinhos muito agressivos e longevos, o Miolo Cabernet Sauvignon 2016, embora não fosse agressivo na primeira investida,  se apresentou de outra forma.
Mais amigável, harmonioso, exalava aromas não de framboesas frescas, mas de mentolados e chocolates. Estava mais cálido e amigável, mais fácil de degustar ao se apresentar com todo seu potencial. 
Lágrimas pronunciadas denunciam sua untuosidade.
Na boca, os mentolados e chocolates surgem de prontidão anunciando o caráter do vinho.
Muito encorpado e com acidez acentuada também denunciando sua vocação gastronômica. Parece um vinho longevo ao apresentar também, traços fortes de balsâmicos e especiarias.
Uma complexidade de muito bom gosto. 
Um vinho para quem sabe manobrar com as qualidades apresentadas por um bom vinho e degustá-lo na sua melhor forma e não perder o dinheiro da compra.
Uma decantação obrigatoriamente deve ser feita ou abrí-lo e degustar 3 ou 4 dias depois, sob pena de não gostar do produto. 
Deixa um final de balsâmicos e comportados.



 Esta é a minha opinião.

LILÁS by Carlos Lucas 2013

LILÁS by Carlos Lucas 2013
FlávioMPinto
Um vinho português de Touriga Franca e Touriga Nacional, caráter dos vinhos do DOURO.
Um vinho de aromas tranquilos de framboesas e flores brancas.
Lágrimas parcimoniosas indicando sua untuosidade e vocação gastronômica..
Na boca, ressalta uma acidez agradável e harmonia entre essa acidez e o teor alcoólico de 13%. O teor alcoólico não passa ao conjunto ensejando uma boa elegância e equilíbrio entre os fatores da estrutura.
 Aliás, essa é uma das mais importantes características de todos os vinhos portugueses: são assemblages harmônicos e elegantes, equilibrando a mistura de muitas uvas, uma tradição secular portuguesa.
É pouco tânico e muito agradável de degustar.
Deixa um final agradável, frutado e consistente.
Esta é a minha opinião.

segunda-feira, 2 de abril de 2018

CROCIATO NERO

CROCIATO NERO
FlávioMPinto

Um vinho de mesa italiano com uvas Sangiovese, Cabernet Sauvignon e Syrah. É da Toscana e de Montalcino, uma das mais famosas regiões  produtoras de Sangiovese Grosso ou Brunello di Montalcino, nome mundialmente conhecido por sua qualidade e sofisticação. 
Esse blend já indica sua origem, numa associação de uvas européias á Sangiovese que deu origem aos Supertoscanos. 
Mas vamos ao Crociato. Um vinho de cor violeta bem definida. Forte, mas não enigmática. Não é safrado, mas pode-se avaliar sendo de uma  safra de aproximadamente 5 a 8 anos, pois ainda não mostra os halos de envelhecimento nos anéis púrpuras esmaecidos no seu colar.
Aromas de violetas se desprendem de um visual límpido e com lágrimas abundantes e regulares, nos revelando sua untuosidade. 
O teor alcoólico de 13,5% não se revela, mas na boca não deixa de ser elegante e equilibrado.
Cálido, harmonioso, não deixa os taninos tomarem conta da atmosfera. Um vinho levemente encorpado. Um vinho gordo, assessorados por sua suntuosidade marcante.
Um vinho muito diferente dos que estamos acostumados no Brasil, normalmente mais alcoólicos.
De bom acidez evidenciando sua vertente gastronômica.
Deixa um final cálido e frutado.

Esta é a minha opinião.

domingo, 25 de março de 2018

LEGADO MUÑOZ GARNACHA 2016

LEGADO MUÑOZ GARNACHA 2016
FlávioMPinto

Um espanhol de Toledo, terras de Galicia,  feito de uvas Garnacha, a Grenache francesa plantada em terras espanholas onde entrou pela Catalunha.
Um vinho de cor purpura clara e aromático. 
Depois de uma decantação apresentou-se muito cálido.
Aromas frutados de groselhas frescas e um ar meio apimentado, selvagem.
Na boca as framboesas deram lugar a pimentões verdes, combinando com morangos maduros. A sensação gustativa dos pimentões foi se acalmando medida que progredia com o tempo na taça. 
O teor alcoolico de 13,5% deixa uma breve passagem, mas não domina o quesito da elegância nem desequilibra o vinho.
A uva Garnacha ou Grenache é uma das mais plantadas no mundo, em volume, graças aos franceses do Vale do Rhône que a tem como a principal uva, com destaque nos Châteauneuf-du-Pape, uma das mais antigas Appellation Controlé da França.
É pouco conhecida no Brasil e raramente plantada nos vinhedos brasileiros. Pouco expressiva por aqui.
Deixa um final selvagem e duradouro.
Deve ser decantado obrigatoriamente.

Esta é a minha opinião.

domingo, 11 de março de 2018

CLAUDE VAL VENDANGES 2016

CLAUDE VAL VENDANGES 2016
FlávioMPinto
Sempre quando degusto vinhos franceses me vem a seguinte indagação: o que bebemos no Brasil? Essa mesmice de Cabernet Sauvignon e Merlot, fruto da falta de criatividade brasileira, para não dizer preguiça de alçar voos com outras uvas e assemblages,  nos deixa com horizontes curtos e o paladar muito restrito.
O Claude Val, uma obra do enfant terrible francês Paul Mas, vem das colinas de Herault do sul da França e amplia o nosso paladar a limites que não imaginávamos alcançar.
Feito de Grenache, Merlot, Syrah e Carignan, um assemblage inédito, nos dá um teor alcoólico de 13,5% que não chega a boca.  Os aromas vegetais e florais da Carignan e Grenache dominam não deixando espaços para as internacionais Syrah e Merlot, apenas o aveludado da Merlot aparece, mas essa também é uma característica das Carignan e Grenache, do Vale do Rhône. 
Na boca, é medianamente encorpado, muito elegante, cálido e aveludado,  parecendo nos abraçar a cada gole. Morangos maduros, ameixas negras, amêndoas e vegetais cozidos nos trazem o caráter dos vinhos do Languedoc-Rousillon do sul da França. 
A mistura de uvas autóctones francesas com internacionalistas foi um caminho aberto, com sucesso, pelos italianos da Toscana quando ousaram e se deram muito bem com os Super Toscanos ampliando o universo de emprego da Sangiovese no mundo vitivinícola italiano. Paul Mas vai nessa mesma direção com suas uvas e vinhedos no Languedoc.
Um vinho muito equilibrado podendo ser degustado e apreciado em todas as suas nuances por quem entende do riscado. Se sobressai sua acidez, denotando sua vocação gastronômica. 
Um enófilo brasileiro vai estranhar os aromas e sabores das uvas autóctones francesas. Quem não entende , vai passar batido!
Deixa um final cálido, frutado e duradouro.

Esta é a minha opinião.