sexta-feira, 20 de abril de 2018

LILÁS by Carlos Lucas 2013

LILÁS by Carlos Lucas 2013
FlávioMPinto
Um vinho português de Touriga Franca e Touriga Nacional, caráter dos vinhos do DOURO.
Um vinho de aromas tranquilos de framboesas e flores brancas.
Lágrimas parcimoniosas indicando sua untuosidade e vocação gastronômica..
Na boca, ressalta uma acidez agradável e harmonia entre essa acidez e o teor alcoólico de 13%. O teor alcoólico não passa ao conjunto ensejando uma boa elegância e equilíbrio entre os fatores da estrutura.
 Aliás, essa é uma das mais importantes características de todos os vinhos portugueses: são assemblages harmônicos e elegantes, equilibrando a mistura de muitas uvas, uma tradição secular portuguesa.
É pouco tânico e muito agradável de degustar.
Deixa um final agradável, frutado e consistente.
Esta é a minha opinião.

segunda-feira, 2 de abril de 2018

CROCIATO NERO

CROCIATO NERO
FlávioMPinto

Um vinho de mesa italiano com uvas Sangiovese, Cabernet Sauvignon e Syrah. É da Toscana e de Montalcino, uma das mais famosas regiões  produtoras de Sangiovese Grosso ou Brunello di Montalcino, nome mundialmente conhecido por sua qualidade e sofisticação. 
Esse blend já indica sua origem, numa associação de uvas européias á Sangiovese que deu origem aos Supertoscanos. 
Mas vamos ao Crociato. Um vinho de cor violeta bem definida. Forte, mas não enigmática. Não é safrado, mas pode-se avaliar sendo de uma  safra de aproximadamente 5 a 8 anos, pois ainda não mostra os halos de envelhecimento nos anéis púrpuras esmaecidos no seu colar.
Aromas de violetas se desprendem de um visual límpido e com lágrimas abundantes e regulares, nos revelando sua untuosidade. 
O teor alcoólico de 13,5% não se revela, mas na boca não deixa de ser elegante e equilibrado.
Cálido, harmonioso, não deixa os taninos tomarem conta da atmosfera. Um vinho levemente encorpado. Um vinho gordo, assessorados por sua suntuosidade marcante.
Um vinho muito diferente dos que estamos acostumados no Brasil, normalmente mais alcoólicos.
De bom acidez evidenciando sua vertente gastronômica.
Deixa um final cálido e frutado.

Esta é a minha opinião.

domingo, 25 de março de 2018

LEGADO MUÑOZ GARNACHA 2016

LEGADO MUÑOZ GARNACHA 2016
FlávioMPinto

Um espanhol de Toledo, terras de Galicia,  feito de uvas Garnacha, a Grenache francesa plantada em terras espanholas onde entrou pela Catalunha.
Um vinho de cor purpura clara e aromático. 
Depois de uma decantação apresentou-se muito cálido.
Aromas frutados de groselhas frescas e um ar meio apimentado, selvagem.
Na boca as framboesas deram lugar a pimentões verdes, combinando com morangos maduros. A sensação gustativa dos pimentões foi se acalmando medida que progredia com o tempo na taça. 
O teor alcoolico de 13,5% deixa uma breve passagem, mas não domina o quesito da elegância nem desequilibra o vinho.
A uva Garnacha ou Grenache é uma das mais plantadas no mundo, em volume, graças aos franceses do Vale do Rhône que a tem como a principal uva, com destaque nos Châteauneuf-du-Pape, uma das mais antigas Appellation Controlé da França.
É pouco conhecida no Brasil e raramente plantada nos vinhedos brasileiros. Pouco expressiva por aqui.
Deixa um final selvagem e duradouro.
Deve ser decantado obrigatoriamente.

Esta é a minha opinião.

domingo, 11 de março de 2018

CLAUDE VAL VENDANGES 2016

CLAUDE VAL VENDANGES 2016
FlávioMPinto
Sempre quando degusto vinhos franceses me vem a seguinte indagação: o que bebemos no Brasil? Essa mesmice de Cabernet Sauvignon e Merlot, fruto da falta de criatividade brasileira, para não dizer preguiça de alçar voos com outras uvas e assemblages,  nos deixa com horizontes curtos e o paladar muito restrito.
O Claude Val, uma obra do enfant terrible francês Paul Mas, vem das colinas de Herault do sul da França e amplia o nosso paladar a limites que não imaginávamos alcançar.
Feito de Grenache, Merlot, Syrah e Carignan, um assemblage inédito, nos dá um teor alcoólico de 13,5% que não chega a boca.  Os aromas vegetais e florais da Carignan e Grenache dominam não deixando espaços para as internacionais Syrah e Merlot, apenas o aveludado da Merlot aparece, mas essa também é uma característica das Carignan e Grenache, do Vale do Rhône. 
Na boca, é medianamente encorpado, muito elegante, cálido e aveludado,  parecendo nos abraçar a cada gole. Morangos maduros, ameixas negras, amêndoas e vegetais cozidos nos trazem o caráter dos vinhos do Languedoc-Rousillon do sul da França. 
A mistura de uvas autóctones francesas com internacionalistas foi um caminho aberto, com sucesso, pelos italianos da Toscana quando ousaram e se deram muito bem com os Super Toscanos ampliando o universo de emprego da Sangiovese no mundo vitivinícola italiano. Paul Mas vai nessa mesma direção com suas uvas e vinhedos no Languedoc.
Um vinho muito equilibrado podendo ser degustado e apreciado em todas as suas nuances por quem entende do riscado. Se sobressai sua acidez, denotando sua vocação gastronômica. 
Um enófilo brasileiro vai estranhar os aromas e sabores das uvas autóctones francesas. Quem não entende , vai passar batido!
Deixa um final cálido, frutado e duradouro.

Esta é a minha opinião.

domingo, 25 de fevereiro de 2018

ESPUMANTE CASA VALDUGA RSV MOSCATEL 2016

FlávioMPinto

A uva Moscato Giallo constitue-se a queridinha das vinícolas brasileiras. Sua adaptação nos terroir gaúchos, seja na Serra como na Campanha, mesmo nos Campos de Cima da Serra, o sucesso é inconteste na produção de espumantes. Ressalte-se que é a uva de maior sucesso brasileiro no exterior, chegando a espumantes nacionais desta uva, baterem as mais tradicionais champanhes em concursos internacionais por sua qualidade.
A Casa Valduga não ficou atrás nesse processo e lançou seus espumantes de Moscatto Giallo.
O RSV safrado de 2016 é um deles.
Com 7,5% de álcool, exala aromas frutados cítricos. Perlage vigorosa e fluída. Claro, brilhante, amarelo suave com halos esverdeados.
Na boca sabores frutados cítricos se multiplicam com destaque para limões sicilianos e melões gaúchos.
O reconhecido adocicado da Moscatel é neutralizado pelo estilo Brut, não deixando vigorar o gosto enjoativo doce da cepa após alguns goles.
É fresco, mineral, muito agradável de degustar. Bem distinto do azedinho da Chardonnay, mas não deixa de ser elegante e aristocrático. 
A Moscatto Giallo está fazendo história na produção de espumantes no Brasil.
Deixa uma retrogosto frutado e persistente.

Esta é a minha opinião. 

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

A INDICAÇÃO DE PROCEDÊNCIA DA REGIÃO DA CAMPANHA GAÚCHA

A INDICAÇÃO DE PROCEDÊNCIA DA REGIÃO DA CAMPANHA GAÚCHA
FlávioMPinto
Aproxima-se a data da homologação da Indicação de Procedência dos vinhos da região da Campanha gaúcha, uma área de aproximadamente 800 km de comprimento por 100 de largura e vai da fronteira com a Argentina em Uruguaiana até a região do Seival margeando a fronteira com o Uruguai. 
Será mais um ganho de qualidade para os vinhos que já começaram a se destacar no cenário nacional.
Não podemos esquecer que o pioneirismo desta iniciativa foi da Almadén, a quase 50 anos, numa região prospectada por satélites dos EUA na década de 70 passada na qual se destacava Palomas em Livramento. A qualidade do terroir foi incontestavelmente confirmada. Quem não se lembra dos vinhos da linha Palomas nos anos 90?
Isso é sinal que tem muita matéria aproveitável naquelas plagas descobertas pela National Distillers.
Vinhos maravilhosos foram produzidos lá e ainda, as vinícolas instaladas recentemente, estão a postos com excelentes produtos no mercado, como a Cordilheira de Santana com seu Tannat e o Gewurztraminer de qualidade imbatível. Isso para não falar do Sauvignon Blanc e o  Chardonnay ambos da Almadén.  Não deixando de lado o espumante Moscatel da Aliança. A Guatambu surge como mais novo sucesso, no rol das vinícolas de Dom Pedrito, a Routhier Darricarére e Dunamis, a Sossego de Uruguaiana e a Batalha de Bagé. Marcas de qualidade, mas de pouca visibilidade no mercado.
Espera-se para logo o resultado das safras da Salton em Livramento, que adquiriu enormes extensões de terras naquelas bandas.  E sabe-se da competência da Salton para produzir vinhos. 
O Paralelo 31 S que abarca toda região da Campanha tem características geológicas muito interessantes e relevantes para produção de vinhos finos. O Paralelo se prolonga para Argentina e África do Sul sempre abrangendo regiões de muita qualidade para produção de vinhos finos. Mendoza e Stellenbosch são mostras do terroir abrangido.
 A formação geológica e o clima com muita exposição solar e frio na floração fazem a diferença. 
A excelência dos produtos é o atestado de qualidade e um futuro promissor. 

Um futuro mais promissor para a vitivinicultura da Campanha gaúcha. É o caminho natural para crescimento comercial,  e tem de ser intensamente buscado, pela indústria de vinhos finos acompanhado pela eficiente ação de marketing orientando e instruindo os consumidores.

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

SANTA TIERRA CARMENÉRE SYRAH 2017

SANTA TIERRA CARMENÉRE SYRAH 2017
FlávioMPinto

Um belo rosé chileno de duas uvas tintas. Por certo, ficaram pouco tempo em contato com as cascas, obviamente. Apenas para deixarem um pouco do caráter de cada uva no mosto.
Aromas frescos  de flores silvestres são intensos, limpíssimo na sua cor salmão. Poucas lágrimas, pouco untuoso.
Os 13,5% de álcool já se fazem presentes, mas não dominam a cena do jovem vinho.
Na boca, os frutados de mirtilos, cerejas frescas, ameixas, fazem a festa. Camomila presente. O frescor continua dando um toque de elegância ao Santa Tierra.
Persistente e muito amigável. 
Um bom vinho para degustar solo ou num dia quente com acepipes a beira da piscina.
Bem mineral , não é enjoativo.  A acidez não deixa que o frutado se esmaeça e retire os sabores apresentados. 
Mais um chileno para o escaldante verão gaúcho e brasileiro.
Deixa um final persistente.

Esta é a minha opinião.