terça-feira, 20 de agosto de 2013

ESTRELAS DO BRASIL NA SCANTINATO DI PEPPO


ESTRELAS DO BRASIL NA SCANTINATO DI PEPPO

FlávioMPinto



Mais uma vez a Confraria Bom Vin se reuniu para um show de enologia.

No dia 19 de agosto na Scantinato di Peppo, rua Mariante com Dona Laura em Porto Alegre, o encontro desta vez foi com a Vinícola Estrelas do Brasil, de Faria Lemos-distrito de Bento Gonçalves. Irineo Dall Agnol, proprietário e Alejandro Cardozo, o enólogo,  nos brindaram com seus tintos e espumantes numa noite fantástica.  Sim, fantástica, pois parecia-nos que estávamos degustando produtos notadamente franceses tal a qualidade dos produtos.

Iniciamos com os espumantes Nature, Brut, Riesling Itálico, Nature Brut e Nature Rosé Brut.  E mais um Nature 2006 cujo dégorgement foi feito no local para deleite dos confrades. Todos espumantes de primeira linha, mas destaco o Brut e o Nature Rosé Brut. Realmente diferenciados de qualquer outro produto nacional. Inigualáveis. Portentosos. Todos expressando os legítimos aromas e sabores dos produtos naturalmente.




Como não poderia de deixar, o final foi com a apresentação dos dois tintos da vinícola. Combinando bem com os espumantes, os vinhos não pareciam ter sido feitos no Brasil. Estão mais para tintos europeus longevos. Numa degustação ás cegas certamente confundiriam os desavisados.  O Superiore 2008, um assemblage de Tannat, Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc e Merlot, não deixa dúvidas que é um vinho de exceção. Escuro, forte, de aromas demarcantes e sabores fortes de um frutado muito elegante. O outro tinto, um varietal Cabernet Sauvignon 2005 não fica para trás. Parece um daqueles longevos da margem esquerda do Gironde, lá de Bordeaux, ou mesmo da Toscana ou Vêneto. Potente, sem deixar de ser elegante, rico em aromas e sabores da cepa, deixou um rastro final bem marcado.

A Vinícola Estrelas do Brasil está de parabéns pela mostra de seus espumantes e vinhos. Sentimos uma ponta de orgulho, sentimento também dos produtores de Faria Lemos, de podermos degustar produtos tão bons, delicados, elegantes e ainda por cima brasileiros.

ARROGANT FROG PINOT NOIR 2010


ARROGANT FROG PINOT NOIR 2010

FlávioMPinto



Jean Paul Mas nos apresenta mais uma do sapo arrogante e  saltitante. Um Pinot Noir perfumado de consumo rápido indicado pela tampa screw cap. Não o guarde.

Este é de um clone da Pinot Noir, a Lily Pad Noir.

De cor escura, forte, impenetrável, bem viva. No nariz mostra aromas de baunilhas e cerejas maduras. As lágrimas parcimoniosas indicam teor de 13,5% de álcool.

Na boca se mostra um legítimo Pinot Noir confirmando os aromas e adicionando violetas. Frutado com taninos bem conformados com o álcool.

Jean Paul Mas conseguiu fazer um Pinot Noir de excelência fora da Borgonha: seu sapo virou príncipe. Não é arrogante e sim competente.
Esta é a minha opinião.

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Zanini e o momento atual dos pequenos produtores

Reproduzo um pronunciamento de Luiz Henrique Zanini, da Vinícola Vallontano, publicado no site Per Bacco, ante o terrível momento que passam as pequenas vinícolas gaúchas.Vinícolass estas que fazem parte da nossa cultura assim como a colonização italiana. A  recordar, são os pequenos produtores franceses que produzem os grandes vinhos e champagnes.

Zanini e o momento atual dos pequenos produtores


Luiz Henrique Zanini (da Vallontano)é presidente da União Brasileira de Vinícolas Familiares e há muito tempo vem lutando para tentar manter viva essa forma cultural da vitivinicultura brasileira. A situação atual desses pequenos produtores é desesperadora. Num documento denominado “Pequenas vinícolas agonizam”, Zanini tenta, num esforço final, reverter essa situação. Vamos ao documento.
“ O dado é estarrecedor. Mais de duas centenas de vinícolas fecharam nos últimos três anos apenas no estado do Rio Grande do Sul.
A Serra Gaúcha é a que mais sofre com estas baixas. As vinícolas familiares vão fechando uma a uma. Porões que antes armazenavam vinhos agora servem de garagem para tratores.
Áreas destinadas ao cultivo da uva estão virando pomares de ameixa e pêssego, culturas mais promissoras. É o prenúncio do fim da vitivinicultura familiar?
E o pior, não se vê qualquer reação por parte do governo nem por parte das entidades que deveriam lutar pelos interesses da vitivinicultura: todos assistem a quebradeira generalizada fingindo que nada está acontecendo.
Ou pior, sabem o que está acontecendo mas em nome de interesses de grandes companhias, fingem que se trata da seleção natural do darwinismo econômico.
Será o fim da cultura da vitis que tanto enobreceu os nossos antepassados? Por que o Simples não pode ser adotado pelas pequenas vinícolas? Por que é tão difícil reduzir a carga tributária do vinho? Por que somos reféns da boa ou da má vontade dos políticos?
Por que o empenho para a adoção do Selo Fiscal foi tão intensa e mobilizou até o Ministro da Fazenda, enquanto o empenho pelo Simples se reduziu a debates dentro das entidades e conteúdo de promessas eleitoreiras?
Os vitivinicultores brasileiros não deveriam tomar as ruas? Por que não parte do Ibravin a iniciativa de protestar em favor da vitivinicultura familiar?
Por uma única razão: vendendo vinho ou não, encolhendo mercado ou não, desperdiçando dinheiro em promoções fracassadas ou não, todos os que lá trabalham podem dormir tranqüilos.
E aposto que muito deles nem conhecem uma tesoura de poda e tratam o vinho como um produto de consumo qualquer como sabonete ou massa de tomate.
Não entendem que o vinho é um produto cultural, reflexo das especificidades de cada terreno, de cada mão que o elabora.
As regras do marketing tradicional provam-se inócuas quando aplicadas ao consumo de vinho. A prova está no encolhimento da participação dos produtos brasileiros no mercado total de vinhos a despeito dos milhões investidos em divulgação no carnaval.
Queremos um sistema tributário justo. Não queremos anuários, nem publicidade cara para cooptar (de)formadores de opinião. Não queremos investimentos em projetos megalomaníacos. A nossa Copa do Mundo é outra. Não queremos NR, IN, nem qualquer outra normativa.
Não queremos Selo Fiscal adotado a revelia da opinião da maioria dos produtores. O Selo Fiscal foi declarado como o meio perfeito para coibir o contrabando.Por ironia do destino somente as vinícolas brasileiras o utilizam hoje. Liminares concedidas a inúmeras importadoras isentam a obrigatoriedade do selo nos vinhos importados.
Então pra que tanto alarde em torno deste instrumento que de antemão já denunciávamos como burro e ineficaz? Não existe nada que diferencie um vinho contrabandeado de um importado legalmente.
Neste caso por que não revogam essa lei inconseqüente que já nasceu morta? Não queremos qualquer medida que burocratize o vinho.

Queremos baixa de impostos, URGENTE.

Queremos que cada real gasto em marketing corresponda a um ganho de fatia de mercado e não o contrário.
Desejamos que todos os produtores de todos os tamanhos recebam apoio do Ibravin indiscriminadamente e que possam participar das feiras e de seus projetos de maneira digna.
E espero acima de tudo que no próximo ano ainda existam pequenas vinícolas no Brasil para continuar a contar a história”.

domingo, 11 de agosto de 2013

ARROGANT FROG CROAK ROTIE 2010


ARROGANT FROG CROAK ROTIE 2010

FlávioMPinto




Um vinho muito delicioso. O arrogante e saltitante sapo francês volta a aprontar das suas neste assemblage típico de Côte Rotie a norte do Rhône. Syrah e Viognier juntas é o blend típico da região. O Croak Rotie vem de Pézenas, sul da França- do Languedoc  e é da IGP- Indicação Geográfica Protegida -do Pays D’Oc.

Feito com uvas dos cinco principais vales do Languedoc.

Escuro, brilhante muito aromático com aromas frutados e fumados demarcando sua passagem por barricas francesas. Lágrimas parcimoniosas indicam sua untuosidade e teor alcoólico de 14%.

Na boca confirmam-se os aromas. Encorpado sem deixar de ser elegante. Muito jovial. Cerejas, morangos e violetas se fazem presentes. Taninos bem demarcados.

Não é um vinho muito complexo, mas o sapo saltitante deixa seu recado a contento.

A tampa screw cap indica consumo imediato.

Paul Mas fez um Côte Rotie no Languedoc com toda pompa.

Esta é a minha opinião.

 

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

DEGUSTAÇÃO CASA SILVA e CAVE GEISSE


DEGUSTAÇÃO CASA SILVA e CAVE GEISSE

FlávioMPinto

Ontem, 8 de julho, tivemos mais uma reunião da Confraria Bom Vin, no Le Bistrot, rua Fernando Gomes, 58, em Porto Alegre.

Mais uma noite agradável. A noitada foi capitaneada por Mario Geisse, reconhecido enólogo chileno, da Cave Geisse- Serra gaúcha e Casa Silva-Chile, que apresentou aos confrades, produtos da Casa Silva e espumantes seus.


A Casa Silva é um dos mais antigos e importantes conglomerados vinícolas chilenos com esmerada pauta de vinhos que abastece o Brasil a contento.

Vale dizer que, condizente com sua reconhecida capacidade e conhecimento, Mario Geisse proporcionou uma verdadeira aula de enologia durante mais de 1 hora aos atentos ouvintes. Paralelamente ás explanações, foram degustados espumantes e vinhos.

- Espumante Cave Geisse Terroir Rosé Brut- um espumante rosé de cair o queixo. Completo e complexo. Magnífico. Todo feito de Pinot Noir que marca fortemente o produto. Boa perlage e deixa um final adocicado bem definido. Cor salmão muito bonita.

- Cool Coast Sauvignon Blanc Casa Silva- um refrescante vinho amarelo esverdeado com sabores e aromas cítricos( laranjas e maracujá) com boa jovialidade, sabor altera-se para nuances de nozes no segundo gole; bem mineral e deixa um final bem prolongado.

-  Cool Coast Pinot Noir Casa Silva- um Pinot Noir dos Andes mediterrâneos, aroma inicial vegetal, boa acidez e mineralidade, taninos bem domados , frutas vermelhas se sobressaem no segundo gole.

- Gran Terroir Los Lingues Carmenére Casa Silva- Mario Geisse é reconhecido como o rei do Carmenére, uva descoberta no Chile no meio de uvas  Merlot, um vinho destas uvas feito por ele , não poderíamos esperar outra coisa senão a excelência do produto. Um vinho poderoso, mas elegante e suave.

- Quinta Generación Tinto Casa Silva- é o assemblage da marca com Cabernet Sauvignon, Petit Verdot, Syrah e Carmenére. Um vinho soberbo. Escuro, aromático e de grande potência. Um vinho marcante na noite comandada por Mario Geisse. De um final pleno e duradouro.


domingo, 4 de agosto de 2013

CALLABRIGA RESERVA ALENTEJO 2003


CALLABRIGA RESERVA ALENTEJO 2003

FlávioMPinto


Fui surpreendido com esse vinho português. Primeiro que a longevidade não é uma das características dos vinhos portugueses fora os longevos da Madeira, Porto e Moscatéis de Setúbal. Os vinhos portugueses na sua imensa maioria são jovens, frutados e bem vivos. Além de apresentarem uma gama imensa de uvas vinificadas.

O Callabriga 2003, portanto, é uma exceção. Tinto de Alfrocheiro, Alicante Bouschet e Tinta Roriz( Aragonez) é da Herdade do Peso, uma vinícola do Alentejo, uma das mais importantes regiões demarcadas de Portugal.

De cor vermelho púrpura, nos apresenta aromas frutados de cerejas e amoras além de notas balsâmicas. Na boca, surgem baunilhas e nozes reforçando os aromas.

Medianamente encorpado nos trás uma boa acidez em perfeito equilíbrio com o álcool-14%- não interferindo no mix frutado do vinho. De taninos bem domados.

É um vinho português diferente, mas curtido dentro da escola portuguesa de vinhos longevos.

Esta é a minha opinião.

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

ARROGANT FROG RIBET RED 2010


ARROGANT FROG RIBET RED 2010

FlávioMPinto












 
Jean- Paul Mas é um dos enfants terrible da vinosfera francesa atualmente. Seus vinhos fazem furor por onde passam.

Nos apresenta a linha Arrogant Frog, um sapo abusado bem francês, que salta no copo com uma alegria sem fim.

Este Ribet Red é do Languedoc  da Appellation Pays D’Oc e um assemblage de Merlot e Cabernet Sauvignon. Faz parte da agriculture raisonée, uma vertente da agricultura orgânica ainda mais radical e regulada pelos Ministérios da Agricultura e Ecologia franceses que, no caso da vinicultura, apresenta seus produtos sem maquinações e subterfúgios com total respeito á ecologia.

Tampa screw cap indica consumo imediato.

Denso, escuro, com lágrimas informando sua untuosidade e teor de 13,5% de álcool, o Ribet Red chega com perfumes frutados de suas uvas, mas não é um típico Cabernet Sauvignon nem Merlot.

Bem encorpado parece ter passado pouco por barricas de carvalho, apenas uma marca indelével de fumados e um toque mais cálido é o que se sente.

Um vinho que enche a boca a cada gole. Um vinho que expressa bem as uvas que o compõem.

Deixa um final curto,  mas não compromete. Mais parece um vinho de garrafão com roupas modernas, um colono passeando na cidade.

Esta é a minha opinião.