domingo, 26 de maio de 2013

CANESSA FAMIGLIA CARMENÉRE RESERVA 2011


CANESSA FAMIGLIA CARMENÉRE RESERVA 2011

FlávioMPinto





Um Carmenére simples e honesto, para início de conversa.

De cor violeta escura, desprendeu aromas frutados de cerejas frescas e framboesas desde a retirada da rolha dando sinais de vivacidade. É do Vale do Curicó-Chile e produzido pela Viña Ralco.  Foi encontrado em Canela –RS e é um  Reserva como todo chileno vindo para o mercado brasileiro.

Na boca se manifesta bem, medianamente encorpado, sem arestas e sem amargor. Não me parece ter passado por carvalho, se passou foi pouco tempo,  e processos de filtração, mostrando sua verdadeira face, sendo que o teor alcoólico passa despercebido-13%.

É um vinho redondo, macio, confortável e fácil de se gostar. Possui um final curto, talvez por sua pouca tanicidade.

Reafirmando, um vinho simples e honesto.

quinta-feira, 23 de maio de 2013

A CASTA IDENTIDADE


 A CASTA IDENTIDADE

FlávioMPinto

Em todo terroir, nos mais diversos países, uma casta se destaca na produção de vinhos e identifica o lugar dando origem a vinhos muito distintos. Em Bordeaux, no norte, a cavaleiro do rio Dordogne pontifica a Merlot e no sul, a cavaleiro do Garône, que faz as honras é a Cabernet Sauvignon em blends exclusivíssimos.  No Rhône a Syrah ou Shiraz. Na Califórnia a Zinfandel. No Uruguai a Tannat. Na Borgonha a Chardonay nas brancas e a Pinot Noir nas tintas. A Baga na Bairrada em Portugal e a Touriga Nacional no Dão. A Sangiovese na Toscana. Ainda a Tempranillo nos terroirs espanhóis da Ribera Del Duero e Rioja.

Uma identificação que define o caráter do produto feito naquelas paragens. Uma casta ícone que puxa a produção e a personalidade dos vinhos produzidos. Quem dita isso é o terroir. É o terreno com seu clima e características geológicas.

O Brasil, que produz vinhos recentemente, comparando com os grandes centros, ainda não identificou qual uva se dá melhor em cada terroir, embora tenha-se indícios de tal.

O que nos parece, é que no Brasil, se quer produzir todo tipo de uva em qualquer terroir sem se preocupar com a identificação da casta com o lugar.

Os nossos terroirs são ecléticos produzindo com a mesma intensidade e qualidade todas as castas? Absolutamente não.

Sempre uma casta se destaca , informando que ali se deu bem. Não temos uvas autóctones, mas uvas internacionais de grande aceitação nos terroirs brasileiros.

Basta ver a produção e aceitação da Tannat nas tintas na região da Campanha gaúcha assim como a Chardonay nas brancas. As tintas Merlot e Cabernet Sauvignon também estão nessa briga.

A identificação da uva líder qualifica o terroir, dignifica o público consumidor e apreciador da marca prestigiando-o, identificando-o.

“Vou beber um Palomas!” Visionariamente a Almadén já prenunciava isso nominando seus vinhos com o nome do terroir como bem fazem os franceses. Era o Rosé de Palomas, o Blanc e o Rouge de Palomas, vinhos que não deixavam dúvidas quanto á casta que o compunha.

A íntima ligação da casta com o terroir dá o nome ao vinho e como é bom chamar o vinho pelo nome!

quarta-feira, 22 de maio de 2013

ARGIANO ROSSO DI MONTALCINO 2008


ARGIANO ROSSO DI MONTALCINO 2008

FlávioMPinto



Em primeiro lugar a Argiano SRL, Italia, fundada em 1580,  é uma das mais respeitadas vinícolas de Montalcino e por conseguinte, produtora de Brunellos de grande reputação.

Mas também produz um segundo vinho, com as mesmas Sangioveses, o Rosso di Montalcino, um fantástico mini brunello. Um legitimo representante da Toscana, feito com as mesmas uvas dos Brunellos, só que de áreas não certificadas para Brunellos. Mas é de Montalcino e estamos conversados.

Herda todas as principais características dos seus irmãos Brunellos a começar pela bela cor: um violáceo que dá vontade de nos atirarmos nela.

Aromas  frutados presentes nos dão ideia do que vem a seguir nos sabores. Cassis misturado com frutas vermelhas como cerejas e ameixas maduras dão o toque sofisticado ao produto. Primoroso. Impecável. Não foi á toa que a vinícola foi quem recebeu a primeira designação de DOCG para um vinho , o seu brunello.

É elegante e com uma aura de aristocracia sem paralelos. Complexo,com mil e um sabores se apresentando e um legítimo irmão dos Brunellos DOCG. Os sabores de ameixas passificadas não nos deixam mentir.

Muito persistente deixando um final marcante. Esta é a minha opinião.

OBS: a Argiano SRL é de propriedade recente de um brasileiro: André Esteves, dono do Banco BTG Pactual.

segunda-feira, 29 de abril de 2013

DUETTO CASA VALDUGA 2011


DUETTO CASA VALDUGA 2011

FlávioMPinto

Uma agradável surpresa este vinho da Casa Valduga. Um assemblage de Pinot Noir e Shiraz muito bem harmonizado.

De cor típica de um bom Pinot Noir, apresenta-se com um bouquet bem perfumado, exalando framboesas e cerejas frescas com notas florais. Lágrimas curtas indicam seu teor alcoólico de 12,5%. Muito aromático.

Mas é na boca que apresenta todo seu vigor. Límpido, com um frescor destacado, pouco tânico, como convém á Pinot Noir, medianamente encorpado. Um vinho elegante. Bem resolvido.

A Pinot Noir combina bem com a Shiraz, o frutado da Pinot com a intensidade da Shiraz, poucos taninos, leve corpo, atraente personalidade resultante. Amoras maduras e doces se pronunciando.

Deixa uma ótima impressão com sua ótima persistência. Um estilo fácil de gostar.

Esta é a minha opinião.

sábado, 27 de abril de 2013

CHÂTEAU FONRAZADE SAINT EMILLION GRAN CRU 2003


CHÂTEAU FONRAZADE SAINT EMILLION GRAN CRU 2003- um Gran Cru salvo da morte

FlávioMPinto




O Château Fonrazade 2003 adquirido em Paris era o vinho mais antigo da adega. Guardava-o para uma ocasião especial. Já estávamos em 2013 e a ocasião surgiu: o dileto filho de Saint Emillion, um Gran Cru guardado no capricho seria degustado. Desavisadamente o abri , enchi a taça e bebi. Não esperei  nada. Senti um gosto estranho e vaticinei: estragado e logo o destinei á comida. Que destino cruel a um Gran Cru! Mas tinha de ser assim para não jogá-lo fora. Me questionei muito em relação ao modo de guardá-lo( a pequena adega fica ao lado do refrigerador seria a culpada?) e imediatamente a afastei do local onde estava.

Três meses depois, agora,  precisei de um vinho para colocar num salmão com ervas finas e mel e o Fonrazade surgiu depois de hibernar na geladeira. Antes, decidi dar uma “bicada”. Qual não foi a minha surpresa que o vinho estava a mil maravilhas, o néctar dos deuses.

Frutado, com nuances fortes de morangos e cerejas, sem rastros de madeira no aroma, denunciavam que o meu primeiro julgamento estava absolutamente errado.

Na boca a surpresa aumentou transformando-se em imenso prazer. Dos aromas , surgiram sabores de cerejas maduras ainda, framboesas, cassis e nada alcoólico. Cálido, acolhedor, convidativo, macio, sedoso, faltaram adjetivos para o Fonrazade. Afinal, era um Gran Cru mostrando serviço. Apenas as borras denunciavam sua idade.

Um vinho extremamente elegante e aristocrático ressurgia das cinzas. O meu erro, quase fatal, foi não ter procedido a decantação. Um erro básico, e inacreditável, em se tratando de um vinho antigo.

Mesmo um tinto, o Fonrazade combinou maravilhosamente com o salmão. Eu mesmo não levava muita fé na “maridage”, mas mais uma vez fui surpreendido e aprendi que não se deve desprezar um Gran Cru. Ainda mais um Saint Emillion.

Quem disse que salmão só combina com brancos?

Ouse, invente e se surpreenda.

Esta é a minha opinião.

segunda-feira, 15 de abril de 2013

ÉLÉPHANT ROUGE 2011


ÉLÉPHANT ROUGE 2011

FlávioMPinto





Depois de muita procura encontrei o Éléphant Rouge. Tempos atrás, assisti uma palestra na Fundação ECARTA-Porto Alegre sobre vinhos da França com Jean Claude Cara, um franco-brasileiro. Falou sobre seu sonho- um vinho e a sua concretização com o lançamento do Éléphant safra 2008.  O final da palestra foi só sobre sua criação: um vinho feito á moda francesa no Vale dos Vinhedos nas instalações da Vinícola Larentis. Isto , acredito, aguçou a curiosidade e motivou a procura de exemplares por aqueles que gostam, não só de vinhos bons, mas de raridades. Vinhos feitos á mão, de garagem, como que sob medida para o apreciador exigente.

Achei-o em 2013, já da safra de 2011, na Vinho&Arte, na Mucio Teixeira, 107 em Porto Alegre a 45 reais.

Como no rótulo não existem informações sobre as castas que o compõem, vou partir verdadeiramente ás cegas para adivinhar. Tenho grande possibilidade de acertar no atacado, embora seja um vinho feito á moda francesa- assemblage, pois no Brasil só duas uvas tintas lideram, sejam blends sejam varietais: Cabernet Sauvignon e Merlot. De acordo com o site oficial do vinho, o da safra 2008, o primeiro, era composto por Cabernet Sauvignon, Merlot e Pinotage. Vou confiar na minha sensibilidade. Este(2011) substitui a Pinotage pela Alicante Bouschet, de acordo com os Sites da Adega Vinho Clic e da Sonoma.

De cor rubi, mostra sua presença já nos aromas sutis de frutas vermelhas, groselhas, cerejas e framboesas. Algo de couro e tabaco, muito pouco,  revelando sua passagem por madeira.Mas é na boca que o Éléphant se mostra como um todo. Bem Bordeaux.

Frutado, cítrico, complexo, com fortes nuances de framboesas e groselhas, é um pouco picante, um quê diferente de eucalipto. Medianamente encorpado e elegante. Um pouco adstringente e agressivo por sua jovialidade. Degustei-o em duas oportunidades com 24 hs de diferença. Na segunda oportunidade, garrafa já aberta, o vinho se mostrou completamente diferente, evoluindo bastante na garrafa. Macio, sedoso, acolhedor, sem a agressividade do dia anterior. Um outro vinho que mereceria outro post. Surpresa extremamente agradável e prazerosa.

Continuou a se apresentar como um vinho complexo e bem estruturado. E com um frescor ímpar.

Um vinho de autor exigente para pessoas exigentes. Não é para muitos. Beba-o refrescado. Decante-o por no mínimo de duas horas. Pela minha experiência, 24 hs(muito tempo, mas compensa).

Esta é a minha opinião.
-a foto é da Confraria do Sagu-Santa Cruz do Sul-RS

terça-feira, 9 de abril de 2013

VINHOS PORTUGUESES EM PORTO ALEGRE?


VINHOS PORTUGUESES EM PORTO ALEGRE?

FlávioMPinto

Algo que sempre questiono é a falta de marketing e promoções na área do vinho no RS. Estado que concentra a imensa maioria das vinícolas brasileiras, maior consumo per capita do país(?), apresenta tímidas exposições sobre o tema a cada ano que passa.

Um consumo que não se reflete nas gôndolas de supermercados ou nas importadoras, onde a grande maioria dos estoques são de chilenos e argentinos, deixando o público consumidor com pouca e reduzida liberdade de escolha. Nos mercados do centro do país a variedade é imensa, colocando em cheque a posição do sul. Basta entrar em qualquer supermercado ou importadora no Rio de Janeiro para comprovar.

Portugal tem uma enorme afinidade com o RS, particularmente Porto Alegre, que foi fundada por 60 casais açorianos.

Na minha avaliação, os vinhos portugueses se caracterizam por dois aspectos básicos: preços e qualidade, resultando num fenomenal conjunto de custo-benefício. Aliada a isso a fantástica produção vinícola portuguesa, uma das três maiores do planeta.

Agregada á qualidade, junta-se a diversidade de uvas autóctones que faz do mercado luso um único com mais de 300 castas vinificadas e prestigiadas.

Consta que Portugal envia quase 20% da sua produção para o Brasil. Mas para onde vai esse vinho? Quem e onde o consomem? Porque não os encontramos na cidade com mais afinidade com Portugal? Aqui preponderam chilenos e argentinos. Reinam por absoluta vitória no preço do produto. Mas também queremos qualidade. Uma relação de custo-benefício adequada. A reduzida oferta de vinhos portugueses não tem explicação lógica ante a história de Porto Alegre.

O que se esconde por detrás disso?