quinta-feira, 22 de março de 2012

SANGIOVESE DI TOSCANA 2009


SANGIOVESE DI TOSCANA 2009
FlávioMPinto
Um Sangiovese IGT  com tudo que tem direito. Sim, um IGT-Indicazione Geografica Tipica- distinção italiana aos vinhos produzidos em regiões que não são DOC ou DOCG, mas com uvas mesmas das DOC e DOCG. Equivalem aos franceses Vin de pays.
Aromático, escuro, rubi brilhante, causa boa impressão com os aromas desprendidos. Um pouco de couro, madeira, leve, defumados.
Na boca, baunilha salientando-se e cerejas maduras, madeira e trazendo um pouco de gosto apimentado e defumados. Muito encorpado e austero, de boa acidez, de forte personalidade como todo bom Sangiovese. Mas um Sangiovese jovem, pois estes vinhos devem ser degustados após 8 a 10 anos de guarda, revelando que tem potencial de guarda. O teor alcoólico de 12,5% não assusta deixando fácil de beber. Pouco complexo e curto em persistência. É da linha dos Super Toscanos.
Um vinho muito barato para o que apresenta. Mesmo um vinho simples, poderia ter deixado descansar por mais um tempo.
Não o deguste muito refrescado. A Sangiovese deve ser degustada entre 18 e 20°.
Essa é a minha opinião.

Vão nos obrigar a beber vinhos de baixa qualidade?


Vão nos obrigar a beber  vinhos de baixa qualidade?
FlávioMPinto
Pois é, a avalanche das tentativas de igualar por baixo o que se bebe no Brasil é uma constante. Não basta o que ocorre nos setor automobilístico, onde somos obrigados a comprar veículos de menor qualidade e tecnologia por outros que custam a metade do preço e fabricados no Brasil á venda no exterior, chegou a hora dos vinhos.
Não vou dizer que tem gente que sente arrepios quando outra pessoa pede um Brunello, pois esta mesma pessoa sente os mesmos arrepios quando outra pessoa pode e compra um carro importado de alta tecnologia.
Não basta a lição de quando o Collor abriu as porteiras da importação e descobriu-se que tínhamos verdadeiras carroças comparadas com os estrangeiros. Era brincadeira de criança comparar um BMW ou Audi com os nacionais de então. Deu-se o salto tecnológico que o Brasil precisava para evoluir no setor automobilístico e conseguimos produzir veículos bons. Não foi só no setor automobilístico que ocorreu. Mas parece que paramos de repente e voltamos á estaca ZERO nesse item e as salvaguardas á indústria nacional estão de volta.
Temos a convicção de que não por busca de qualidade, aspecto que tanto o consumidor busca, mas por nivelar por baixo, tudo comandado por uma mentalidade tão tacanha quanto voltarmos á época das cavernas. A lição do Collor não foi aprendida e a nossa indústria não aprendeu nem evoluiu. Voltamos a ser produtores apenas de matérias primas e deixamos os manufaturados para os outros países faturarem.
 Um carro produzido no Brasil com todos os acessórios possíveis, e vendido na Argentina ou México,  custa a metade do preço de um “pelado” no mercado nacional.
Agora chegou a vez dos vinhos com o famigerado selo fiscal e as ameaças de aumento de alíquotas ou mesmo imposição de quotas de importação.
O que podemos dizer que se trata de gente de gosto duvidoso, de mau gosto diga-se. Não desejam, absolutamente, que o brasileiro consuma produtos de qualidade. Dos exemplos citados, tanto dos carros como dos vinhos, diminua-se os impostos desses produtos no mercado nacional e o consumo imediatamente aumentará.
Mas é de se esperar que vinhos argentinos, chilenos e uruguaios literalmente destruam a indústria nacional vitivinícola por não terem concorrência no preço, posto que,  entram com alíquota ZERO no mercado nacional. Como não possuem a babilônia de impostos nos seus produtos nos seus países.....
Assim ocorre na produção de veículos, onde as fábricas preferem produzir na Argentina e colocam seus produtos no mercado brasileiro com ganhos estratosféricos. Tudo por acordos do Mercosul e que se lixe a produção das vinícolas nacionais, pois a reciprocidade dos hermanos está em outros produtos. Assim se mantém a balança comercial.
Ah, tanto vinhos como carros são coisas de burgueses. Bingo! Chegamos ao ponto nevrálgico. É isso. A coisa é ideológica.
E como estamos sendo governados por gente desse caráter, não podemos esperar outra coisa.
A não ser que os freeshop de Rivera nos salvem.
É a solução á vista.

sexta-feira, 16 de março de 2012

O ASSÉDIO FISCAL AOS VINHOS IMPORTADOS


O ASSÉDIO FISCAL AOS VINHOS IMPORTADOS
FlávioMPinto
O governo federal ensaia mais uma vez o assédio fiscal aos vinhos importados, ou mesmo restrição á venda no comércio, a produtos de reconhecida qualidade. Não vou falar dos sul-americanos que, protegidos, concorrem diretamente e detonando os brasileiros no comércio nacional e nos freeshops da fronteira. Sim, chilenos, uruguaios e argentinos com taxa 0% na alíquotas de importação, não competem pela qualidade, mas ganham de vantagem nos preços, relegando os nacionais a um segundo plano por causa exclusiva das vantagens que recebem aqui. Além disso, os produtos nacionais são sobretaxados já no mercado nacional. E isso tudo foi proposto por BRASILEIROS. Um verdadeiro crime de lesa pátria. Mas foi. E os deputados que propuseram, com certeza, estão se regalando com os vinhos sulamericanos.
Agora, pelo menos é o que se apresenta, a sanha governamental vai na direção da fina flor dos vinhos. Em suma, não desejam que os brasileiros consumam  produtos de qualidade indiscutível. É o nivelar por baixo como já fizeram com o aumento da alíquota de importação dos carros. Quem pode não vai deixar de adquirir um Azera ou um BMW!
Normalmente quem reagiria seria o mercado com sua volúpia em consumir produtos bons, mas é a sanha arrecadadora do governo que abocanha tudo, inicialmente sufocando o produto nacional e aliviando a barra dos uruguaios, argentinos e chilenos, que entram no mercado nacional com volumes cada vez crescentes.
E  continuaremos a ver brasileiros se entupirem de chilenos de 5 dólares a garrafa , de qualidade discutível, nos freeshops da vida em detrimento da qualidade cada vez mais alta dos vinhos nacionais, que, naqueles lugares, nem entram tal é a reciprocidade comercial dos hermanos.
Os burocratas do Comércio Exterior não sabem que o nosso inimigo não está na Europa, e sim, incrustado no comércio nacional, aqui chegando devido a vantagens inadmissíveis em detrimento dos produtos nacionais, que mesmo assim, crescem a olhos vistos.
Para o consumidor, a chave de tudo é o conhecimento. Com ele, poderemos escolher a vontade produtos de excelente qualidade, produtos que não fabricamos e temos ânsia em consumir. Você deixaria de dar uma voltinha numa Ferrari?
E eu não vou deixar de degustar o meu Bordeaux nem meu Brunello di Montalcino!

segunda-feira, 12 de março de 2012

PRIMEIRO CORTE 2008


PRIMEIRO CORTE 2008
FlávioMPinto
O PRIMEIRO CORTE é um vinho feito a quatro mãos pela Vinícola Campos de Cima e a EMBRAPA Uva e Vinho de Bento Gonçalves.  A vinícola boutique de Itaqui nos brinda com um vinho muito bem equilibrado, harmônico. Feito num assemblage de Merlot(41%), Cabernet Sauvignon(35%) e Tannat(24%), preserva as melhores qualidades destas castas.
De cor violácea meio opaca, é discreto no nariz. Não possui o brilho de um Cabernet Sauvignon. Poucos são os aromas desprendidos. Apenas reduzidos aromas de frutas vermelhas como pitanga, picantes, para denotar seu caráter frutado.
Na boca,revela-se todo, bem estruturado apresentando a maciez do Merlot, misturada com um pouco da adstringência do Tannat e a potência do Cabernet Sauvignon. Tudo isso, sim senhor. Nuances de cereja e pitanga, típica frutinha silvestre da Campanha, o fazem diferenciado. Os 12% de teor alcoólico dão maior equilíbrio aos taninos domados das castas. Um assemblage, de fato, muito bem equilibrado e elegante. Ficou até meio suave, atenuada a agressividade dos taninos . Ficou fácil de beber. Medianamente encorpado deixa uma suave sensação de persistência terrosa,  marcante, demarcadora de território.
Uma excelente combinação das três uvas colhidas á mão, como se faz nos grandes vinhedos em todo o mundo.
Esta é a minha opinião.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

CHÂTEAU BLAGNAC 2007


CHÂTEAU BLAGNAC 2007
FlávioMPinto
O Château Blagnac é um legítimo produto do Haut Médoc. Um vinho jovem do Châteaux Hanteillan, de Cissac.
A cor é violácea forte, muito característica das cepas envolvidas. Com preponderância da Cabernet Sauvignon no blend bordalês, vem do Haut Médoc, claro, mostra-se pouco aromático. Não se desprendem muitos aromas da garrafa, poucas notas de cerejas e baunilhas, mas fracas.
Como todo bom Bordeaux, não diz que uvas compõem o blend, mas nota-se a presença forte da Cabernet Sauvignon, da Cabernet Franc e a suavidade da Merlot. Ainda notas de Petit Verdot se fazem presentes.
É um vinho descomplicado, fácil de beber e sem qualquer resquício de amargor. E é na boca que o Château Blagnac se revela como um todo: notas suaves de baunilhas e cerejas maduras, equilibradíssimo, elegante, discreto. Parece ser um nobre vestido com roupas simples por não querer mostrar sua nobreza, mas ela aparece fortemente na personalidade do vinho.
Já no limite de guarda , de acordo com o produtor, continua bem vivo a começar pela firmeza da cor rubi-violácea.
Deixa como finalização uma persistência marcante demarcando território, e caráter, afinal é um Grand Vin de Bordeaux!

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

QUEM DISSE QUE NÃO SE TOMA VINHO TINTO NO VERÃO?


QUEM DISSE QUE NÃO SE TOMA VINHO TINTO NO VERÃO?
FlavioMPinto
Esse é um dos tabus a ser quebrado. Ainda mais em mercados emergentes, e quentes,  composto por pessoas com pouco conhecimento da bebida, como o Brasil. Apenas alguns usufruem adequadamente de uma degustação decente em qualquer época.
A chave é o conhecimento.
Sejam tintos, brancos ou rosées, os vinhos tem uma temperatura adequada para consumo e pratos para os acompanharem adequadamente. Caso ocorram conflitos, a decodificação dos sabores pela língua nos passa um recado, que para nós, é errado. Claro, nós é que escolhemos a parceria errada para o vinho. Ou para a comida.
Acompanha esse tabu, o velho ditado de que” vinho tinto se toma na temperatura ambiente!”. Temperatura ambiente da Europa, entenda-se, cara pálida! Não queira beber um tinto, como já me aconteceu, na canícula de novembro em Porto Alegre. Aliás, não aconteceu: o garçom queria me empurrar um tinto pedido que estava na temperatura ambiente. Ou seja, quente e não aceitei.
Muitos contra-rótulos de vinhos apresentam a temperatura do serviço e deve ser seguida, não tem erro. Não vá atrás do garçom que diz que deve ser bebido na temperatura ambiente.
O tinto deve ser bebido refrescado e, mas não gelado. Aí outro cuidado.
O seu corpo reclamará logo caso o vinho seja bebido sem as mínimas condições.
Em muito calor, exija um recipiente com gelo, tal qual se providencia para os brancos e espumantes e o mantenha refrescado.
Em casa, coloque o vinho no refrigerador, na parte de baixo, por umas duas horas e pronto.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

ALIANÇA FORAL RESERVA 2008


ALIANÇA FORAL RESERVA 2008
FlávioMPinto
Um português bem europeu. Demais.
Com cor violácea, boa transparência, apresenta aromas fortes de couro, tabaco, defumados, bem enfumaçado, sendo muito aromático.
É oriundo do Douro Superior, uma das mais importantes regiões viníferas de Portugal, vem da Quinta dos Quatro Ventos e feito com o trio de ouro local: Touriga Nacional, Tinta Roriz e Touriga Franca. Na boca é frutado, e os sabores confirmam os aromas: tabaco, defumados, especiarias, denotando sua passagem por doze meses em barricas de carvalho. Ameixas passas e maduras e em compotas se pronunciando.  Parece ser de Bordeaux, mas sua adstringência, que seca demais a boca,  o trai. Não desce macio, é um pouco duro, difícil, exigente na identificação e no paladar.
Mostra-se terroso, encorpado , com personalidade marcante e final persistente.
Embora seja uma proposta de vinho simples e barato, 15 reais no Nacional de Capão da Canoa, é exigente no paladar e austero, lembrando aquelas senhoras portuguesas de chale preto sempre no corpo.
Um vinho até certo ponto meio soturno.
Acompanhou bem pizzas e carnes defumadas num calor de 34 graus. Deve ser bebido refrescado. Esta é a minha opinião.