sábado, 27 de abril de 2013

CHÂTEAU FONRAZADE SAINT EMILLION GRAN CRU 2003


CHÂTEAU FONRAZADE SAINT EMILLION GRAN CRU 2003- um Gran Cru salvo da morte

FlávioMPinto




O Château Fonrazade 2003 adquirido em Paris era o vinho mais antigo da adega. Guardava-o para uma ocasião especial. Já estávamos em 2013 e a ocasião surgiu: o dileto filho de Saint Emillion, um Gran Cru guardado no capricho seria degustado. Desavisadamente o abri , enchi a taça e bebi. Não esperei  nada. Senti um gosto estranho e vaticinei: estragado e logo o destinei á comida. Que destino cruel a um Gran Cru! Mas tinha de ser assim para não jogá-lo fora. Me questionei muito em relação ao modo de guardá-lo( a pequena adega fica ao lado do refrigerador seria a culpada?) e imediatamente a afastei do local onde estava.

Três meses depois, agora,  precisei de um vinho para colocar num salmão com ervas finas e mel e o Fonrazade surgiu depois de hibernar na geladeira. Antes, decidi dar uma “bicada”. Qual não foi a minha surpresa que o vinho estava a mil maravilhas, o néctar dos deuses.

Frutado, com nuances fortes de morangos e cerejas, sem rastros de madeira no aroma, denunciavam que o meu primeiro julgamento estava absolutamente errado.

Na boca a surpresa aumentou transformando-se em imenso prazer. Dos aromas , surgiram sabores de cerejas maduras ainda, framboesas, cassis e nada alcoólico. Cálido, acolhedor, convidativo, macio, sedoso, faltaram adjetivos para o Fonrazade. Afinal, era um Gran Cru mostrando serviço. Apenas as borras denunciavam sua idade.

Um vinho extremamente elegante e aristocrático ressurgia das cinzas. O meu erro, quase fatal, foi não ter procedido a decantação. Um erro básico, e inacreditável, em se tratando de um vinho antigo.

Mesmo um tinto, o Fonrazade combinou maravilhosamente com o salmão. Eu mesmo não levava muita fé na “maridage”, mas mais uma vez fui surpreendido e aprendi que não se deve desprezar um Gran Cru. Ainda mais um Saint Emillion.

Quem disse que salmão só combina com brancos?

Ouse, invente e se surpreenda.

Esta é a minha opinião.

segunda-feira, 15 de abril de 2013

ÉLÉPHANT ROUGE 2011


ÉLÉPHANT ROUGE 2011

FlávioMPinto





Depois de muita procura encontrei o Éléphant Rouge. Tempos atrás, assisti uma palestra na Fundação ECARTA-Porto Alegre sobre vinhos da França com Jean Claude Cara, um franco-brasileiro. Falou sobre seu sonho- um vinho e a sua concretização com o lançamento do Éléphant safra 2008.  O final da palestra foi só sobre sua criação: um vinho feito á moda francesa no Vale dos Vinhedos nas instalações da Vinícola Larentis. Isto , acredito, aguçou a curiosidade e motivou a procura de exemplares por aqueles que gostam, não só de vinhos bons, mas de raridades. Vinhos feitos á mão, de garagem, como que sob medida para o apreciador exigente.

Achei-o em 2013, já da safra de 2011, na Vinho&Arte, na Mucio Teixeira, 107 em Porto Alegre a 45 reais.

Como no rótulo não existem informações sobre as castas que o compõem, vou partir verdadeiramente ás cegas para adivinhar. Tenho grande possibilidade de acertar no atacado, embora seja um vinho feito á moda francesa- assemblage, pois no Brasil só duas uvas tintas lideram, sejam blends sejam varietais: Cabernet Sauvignon e Merlot. De acordo com o site oficial do vinho, o da safra 2008, o primeiro, era composto por Cabernet Sauvignon, Merlot e Pinotage. Vou confiar na minha sensibilidade. Este(2011) substitui a Pinotage pela Alicante Bouschet, de acordo com os Sites da Adega Vinho Clic e da Sonoma.

De cor rubi, mostra sua presença já nos aromas sutis de frutas vermelhas, groselhas, cerejas e framboesas. Algo de couro e tabaco, muito pouco,  revelando sua passagem por madeira.Mas é na boca que o Éléphant se mostra como um todo. Bem Bordeaux.

Frutado, cítrico, complexo, com fortes nuances de framboesas e groselhas, é um pouco picante, um quê diferente de eucalipto. Medianamente encorpado e elegante. Um pouco adstringente e agressivo por sua jovialidade. Degustei-o em duas oportunidades com 24 hs de diferença. Na segunda oportunidade, garrafa já aberta, o vinho se mostrou completamente diferente, evoluindo bastante na garrafa. Macio, sedoso, acolhedor, sem a agressividade do dia anterior. Um outro vinho que mereceria outro post. Surpresa extremamente agradável e prazerosa.

Continuou a se apresentar como um vinho complexo e bem estruturado. E com um frescor ímpar.

Um vinho de autor exigente para pessoas exigentes. Não é para muitos. Beba-o refrescado. Decante-o por no mínimo de duas horas. Pela minha experiência, 24 hs(muito tempo, mas compensa).

Esta é a minha opinião.
-a foto é da Confraria do Sagu-Santa Cruz do Sul-RS

terça-feira, 9 de abril de 2013

VINHOS PORTUGUESES EM PORTO ALEGRE?


VINHOS PORTUGUESES EM PORTO ALEGRE?

FlávioMPinto

Algo que sempre questiono é a falta de marketing e promoções na área do vinho no RS. Estado que concentra a imensa maioria das vinícolas brasileiras, maior consumo per capita do país(?), apresenta tímidas exposições sobre o tema a cada ano que passa.

Um consumo que não se reflete nas gôndolas de supermercados ou nas importadoras, onde a grande maioria dos estoques são de chilenos e argentinos, deixando o público consumidor com pouca e reduzida liberdade de escolha. Nos mercados do centro do país a variedade é imensa, colocando em cheque a posição do sul. Basta entrar em qualquer supermercado ou importadora no Rio de Janeiro para comprovar.

Portugal tem uma enorme afinidade com o RS, particularmente Porto Alegre, que foi fundada por 60 casais açorianos.

Na minha avaliação, os vinhos portugueses se caracterizam por dois aspectos básicos: preços e qualidade, resultando num fenomenal conjunto de custo-benefício. Aliada a isso a fantástica produção vinícola portuguesa, uma das três maiores do planeta.

Agregada á qualidade, junta-se a diversidade de uvas autóctones que faz do mercado luso um único com mais de 300 castas vinificadas e prestigiadas.

Consta que Portugal envia quase 20% da sua produção para o Brasil. Mas para onde vai esse vinho? Quem e onde o consomem? Porque não os encontramos na cidade com mais afinidade com Portugal? Aqui preponderam chilenos e argentinos. Reinam por absoluta vitória no preço do produto. Mas também queremos qualidade. Uma relação de custo-benefício adequada. A reduzida oferta de vinhos portugueses não tem explicação lógica ante a história de Porto Alegre.

O que se esconde por detrás disso?

quinta-feira, 21 de março de 2013

ALMADÉN VINHAS VELHAS TANNAT 2011


ALMADÉN VINHAS VELHAS TANNAT 2011

FlávioMPinto

A mídia muito “badalou” este vinho já desde seu pré-lançamento no Concurso de Bruxelas em 2011 em Livramento.

Um  vinho feito com todo carinho por quem já foi ícone no mercado de vinhos no Brasil. A Almadén, como a mostrar para sua controladora –a Miolo, que seu verdadeiro desígnio é a produção de vinhos ícones e não populares. O terroir indica isso. E o profissionalismo de seus integrantes também.

E a Almadén, com sua marca quase desaparecendo no rótulo,  queria mostrar que ainda sabe fazer vinhos de gabarito.

Ainda prematura sua degustação( o ideal seria daqui a uns 3 anos-safra 2011), no entanto mostrou-se pronto. Um Tannat bem típico, de cor quase negra pontificando aromas da casta, extraído de vinhas de mais de 35 anos, dos vinhedos mais antigos da Almadén. O que não dizer, então, se ainda restam, dos vinhedos antigos de Pinot Noir, Cabernet Sauvignon, Merlot e vinhas de uvas brancas da antiga National Distillers? Isso prova, mais uma vez o acerto daquela empresa no investimento no terroir santanense.

Escuro, característica da cepa, exalava aromas frutados.

Na boca, os sabores de amoras bem maduras, chocolate e tabaco, indicando sua passagem por 12 meses em barris de carvalho, foram se destacando. Não apresentou qualquer sinal de rugosidade e adstringência negativos. Dava para perceber até um toque de Bordeaux no seu sabor.

De corpo robusto, concentrado e com taninos bem resolvidos.

De boa persistência e final longo.

A Almadén, que conseguiu extrair o que de melhor existe no Tannat da Campanha,deu seu grito de sobrevivência.

 Um vinho complexo, muito elegante e moderno, que não parece um varietal, um monocasta. Fico a imaginar como seria um corte/assemblage desse vinho com Merlot e mesmo até com Cabernet Sauvignon ou Petit Verdot. Ou todas juntas. Bem bordalês.

Esta é a minha opinião.

quarta-feira, 20 de março de 2013

VINHO: CADA ASPIRADA, OU GOLE, UMA VIAGEM DE FANTASIAS!


VINHO: CADA ASPIRADA, OU GOLE, UMA VIAGEM DE FANTASIAS!

FlávioMPinto

O Universo de cada enófilo se expande a cada retirada de rolha, enchimento de taça e a chegada dos primeiros aromas de um vinho.

Ás vezes a espera é longa, mas reconfortante ao sentir-se os aromas e sabores de um bom vinho, tão aguardado quanto prazeroso. A degustação de um vinho é como uma viagem ás cegas: não se sabe em que estado ele se encontra, embora sejam tomados todos os cuidados para que chegue são e salvo. Eu mesmo tive uma experiência desastrosa com um Premier Gran Cru 2003 Saint Emillion , que se encontrava em petição de miséria ao ser degustado. Estava bem acondicionado, mas...agora temo pelos outros que restaram na adega.

E é por isso que o ritual de cada enófilo se repete a cada degustação. Sentir os aromas, surpreender-se positivamente, é a tônica. Surpreender-se e inebriar-se. É a ritualística que se segue a cada taça de vinho.

Pode ser até uma viagem no tempo caso nos importemos com a história do vinhedo, as uvas colhidas , a época que foi fabricado, as estórias que o envolvem o terroir. 

É um momento mágico no qual se espera tudo de bom.

terça-feira, 12 de março de 2013

CHATEAU FAURE-BEAUSEJOUR 2008


CHATEAU FAURE-BEAUSEJOUR 2008

FlávioMPinto

Já adiantando que não é uma safra das boas de Bordeaux, mas é um excelente vinho.

Composto por 80% de Merlot, 10 de Cabernet Franc e 10 de Cabernet Sauvignon, classifica-se como um legítimo representante do Dordogne. Vem da AOC Fronsac, perto de Saint Emillion e Liborne, a terra da Merlot.

É um vinho de cor viva, rubi, não deixando dúvidas, de cara,quanto sua origem. Aromas delicados e frutados de cerejas e framboesas enchem o nariz dando o cartão de visitas da Merlot.

Lágrimas delicadas e firmes, mas significativas, descem na taça indicando sua untuosidade e teor alcoólico de 13%. Na boca, ampla e vigorosa, as frutas se repetem, com destaque para framboesas, baunilha  e frutas cítricas silvestres e ainda morangos e cranberry. Não passa por madeira por muito tempo e isso está bem demarcado no vinho. Medianamente encorpado e tânico. Elegante e nobre. Um primor de finesse.

Deixa um final longo e prolongado. Excepcional vinho. Adquirido em Paris 5,99 euros em 2011. No Brasil, por sua qualidade, um equivalente custaria no mínimo 150 reais.

Esta é a minha opinião.

domingo, 3 de março de 2013

ALIOS DE SAINT MARIE 2006


ALIOS DE SAINTE MARIE 2006

FlávioMPinto

Do Château Saint Marie, de Entre- deux-Mers/Bordeaux, região que fica entre os rios Garonne e o Dordogne, possui blend típico da região: 78% de Merlot, 17% Cabernet Sauvignon, e 5% de Petit Verdot. Alios é o nome dado a um terreno constituído de pedras, areia, ferro, alumínio e manganês.

O Alios é um vinho europeu moderno. Um perfeito assemblage bordalês com tudo que tem de melhor. Um dos melhores vinhos que já degustei foi o Alios 2001. Pois achei-o em 2011 no Brasil, só que da safra 2006, na Importadora Vinci(www.vinci.com.br), a 97 reais.

Pela cor meio opaca quase , bordas atijolando-se, parecia já estar no seu declínio, mas na boca, após passar por um decantador, modificou-se o panorama. Mas não eram as mesmas sensações do 2001, degustado em 2011. O acento terroso do 2001 não se fez presente no 2006, que se apresentava um pouco  mais alcoólico.

Os aromas frutados ressurgem na boca, mas de frutas em compotas e até passas,dando ares que já estava em declínio.

Em suma, um vinho que já era, não estava na sua melhor forma.

Esta é a minha opinião.