domingo, 25 de fevereiro de 2018

ESPUMANTE CASA VALDUGA RSV MOSCATEL 2016

FlávioMPinto

A uva Moscato Giallo constitue-se a queridinha das vinícolas brasileiras. Sua adaptação nos terroir gaúchos, seja na Serra como na Campanha, mesmo nos Campos de Cima da Serra, o sucesso é inconteste na produção de espumantes. Ressalte-se que é a uva de maior sucesso brasileiro no exterior, chegando a espumantes nacionais desta uva, baterem as mais tradicionais champanhes em concursos internacionais por sua qualidade.
A Casa Valduga não ficou atrás nesse processo e lançou seus espumantes de Moscatto Giallo.
O RSV safrado de 2016 é um deles.
Com 7,5% de álcool, exala aromas frutados cítricos. Perlage vigorosa e fluída. Claro, brilhante, amarelo suave com halos esverdeados.
Na boca sabores frutados cítricos se multiplicam com destaque para limões sicilianos e melões gaúchos.
O reconhecido adocicado da Moscatel é neutralizado pelo estilo Brut, não deixando vigorar o gosto enjoativo doce da cepa após alguns goles.
É fresco, mineral, muito agradável de degustar. Bem distinto do azedinho da Chardonnay, mas não deixa de ser elegante e aristocrático. 
A Moscatto Giallo está fazendo história na produção de espumantes no Brasil.
Deixa uma retrogosto frutado e persistente.

Esta é a minha opinião. 

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

A INDICAÇÃO DE PROCEDÊNCIA DA REGIÃO DA CAMPANHA GAÚCHA

A INDICAÇÃO DE PROCEDÊNCIA DA REGIÃO DA CAMPANHA GAÚCHA
FlávioMPinto
Aproxima-se a data da homologação da Indicação de Procedência dos vinhos da região da Campanha gaúcha, uma área de aproximadamente 800 km de comprimento por 100 de largura e vai da fronteira com a Argentina em Uruguaiana até a região do Seival margeando a fronteira com o Uruguai. 
Será mais um ganho de qualidade para os vinhos que já começaram a se destacar no cenário nacional.
Não podemos esquecer que o pioneirismo desta iniciativa foi da Almadén, a quase 50 anos, numa região prospectada por satélites dos EUA na década de 70 passada na qual se destacava Palomas em Livramento. A qualidade do terroir foi incontestavelmente confirmada. Quem não se lembra dos vinhos da linha Palomas nos anos 90?
Isso é sinal que tem muita matéria aproveitável naquelas plagas descobertas pela National Distillers.
Vinhos maravilhosos foram produzidos lá e ainda, as vinícolas instaladas recentemente, estão a postos com excelentes produtos no mercado, como a Cordilheira de Santana com seu Tannat e o Gewurztraminer de qualidade imbatível. Isso para não falar do Sauvignon Blanc e o  Chardonnay ambos da Almadén.  Não deixando de lado o espumante Moscatel da Aliança. A Guatambu surge como mais novo sucesso, no rol das vinícolas de Dom Pedrito, a Routhier Darricarére e Dunamis, a Sossego de Uruguaiana e a Batalha de Bagé. Marcas de qualidade, mas de pouca visibilidade no mercado.
Espera-se para logo o resultado das safras da Salton em Livramento, que adquiriu enormes extensões de terras naquelas bandas.  E sabe-se da competência da Salton para produzir vinhos. 
O Paralelo 31 S que abarca toda região da Campanha tem características geológicas muito interessantes e relevantes para produção de vinhos finos. O Paralelo se prolonga para Argentina e África do Sul sempre abrangendo regiões de muita qualidade para produção de vinhos finos. Mendoza e Stellenbosch são mostras do terroir abrangido.
 A formação geológica e o clima com muita exposição solar e frio na floração fazem a diferença. 
A excelência dos produtos é o atestado de qualidade e um futuro promissor. 

Um futuro mais promissor para a vitivinicultura da Campanha gaúcha. É o caminho natural para crescimento comercial,  e tem de ser intensamente buscado, pela indústria de vinhos finos acompanhado pela eficiente ação de marketing orientando e instruindo os consumidores.

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

SANTA TIERRA CARMENÉRE SYRAH 2017

SANTA TIERRA CARMENÉRE SYRAH 2017
FlávioMPinto

Um belo rosé chileno de duas uvas tintas. Por certo, ficaram pouco tempo em contato com as cascas, obviamente. Apenas para deixarem um pouco do caráter de cada uva no mosto.
Aromas frescos  de flores silvestres são intensos, limpíssimo na sua cor salmão. Poucas lágrimas, pouco untuoso.
Os 13,5% de álcool já se fazem presentes, mas não dominam a cena do jovem vinho.
Na boca, os frutados de mirtilos, cerejas frescas, ameixas, fazem a festa. Camomila presente. O frescor continua dando um toque de elegância ao Santa Tierra.
Persistente e muito amigável. 
Um bom vinho para degustar solo ou num dia quente com acepipes a beira da piscina.
Bem mineral , não é enjoativo.  A acidez não deixa que o frutado se esmaeça e retire os sabores apresentados. 
Mais um chileno para o escaldante verão gaúcho e brasileiro.
Deixa um final persistente.

Esta é a minha opinião.

GUATAMBU TANNAT 2015

GUATAMBU TANNAT 2015
FlávioMPinto
Um vinho muito tânico, típico da cepa. Forte, intenso, escuro, carmim bem nítido, marcante já nos aromas frutados de groselhas bem maduras. 
O terroir de Dom Pedrito através da Vinícola “estância” Guatambu, de Dom Pedrito na Campanha gaúcha,  nos brinda com esse vinho encorpado, com taninos bem domados, untuoso. Essa vinícola é pródiga em produzir vinhos marcantes e que se confundem com o terroir da Campanha. 
Sua vertente gastronômica pede carnes vermelhas bem ao gosto da população da área: churrascos e carnes e linguiças assadas na grelha bem ao gosto do Pampa gaúcho.
Muito elegante, mas com predomínio dos taninos que tomam a cena se impondo. 
Na boca não deixa a desejar com sabores fortes de groselhas, compotados de frutas negras bem maduras.
O teor alcoólico demarca território. Um excelente custo-benefício.
Esta é a minha opinião.
Deixa um final longo e frutado.

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

MIOLO MERLOT TERROIR 2009

MIOLO MERLOT TERROIR 2009
FlávioMPinto
Confesso que foi um dos melhores Merlot que degustei até hoje. Está no mesmo nível dos franceses do Pomerol. Um excelente trabalho da Miolo e dos seus enólogos. Se bem que a Merlot é a uva mais emblemática do Vale dos Vinhedos por ter se adaptado maravilhosamente naquelas plagas, facilitando o trabalho.
Uma vinho de cor violeta, untuosidade anunciada por suas lágrimas abundantes, frutado, rico em aromas de framboesas, cassis, couros curtidos, violetas,  fumados e especiarias. 
Na boca, chocolates, framboesas, morangos maduros, compotados doces vermelhos, recheiam a acidez despejada ensejando grande vocação gastronômica. Uma complexidade para  poucos. 
Os seus 14% de teor alcoólico conferem muita elegância junto com os taninos vivos e bem presentes. 
Muito equilibrado e harmônico. Não o decante, pois vais estragá-lo. 
Um vinho de destaque no cenário nacional. Único. Faz parte do rol dos vinhos caros nacionais pouco acessíveis a maioria dos cultuadores de Baco brasileiros. Mas é um produto que vale que pena ser degustado com carinho. E em ocasiões especiais. 
Cálido, tranquilo, amigável, romântico, um vinho de alta estirpe, mas honesto, competente e competitivo por sua qualidade. 
Deixa um final sisudo, como um mordomo inglês de fraque se afastando da cena. 

A Miolo está de parabéns em nos brindar com esse vinho. Um vinho que eleva o padrão da vitivinicultura brasileira. Esta é minha opinião.