segunda-feira, 30 de outubro de 2017

GEORGES DUBOEUF MOULIN-A-VENT AOC 2013

GEORGES DUBOEUF MOULIN-A-VENT AOC 2013
FlávioMPinto
Um vinho francês vindo de uma Appellation Controlé- a Moulin-A-Vent. Essa região faz parte de Beaujolais, uma das mais proeminentes e únicas regiões da França. Bem francês.
Georges Duboeuf é um dos grandes produtores franceses.  
Aromas e cor típica de vinhos da mais alta qualidade: violetas. Não temos, na garrafa,  a indicação da cepa que integram o vinho. Mas descobrimos que é a mais tradicional da região:  a Gamay. 
E Moulin-A-Vent é considerada a mais importante dos 10 Grand Cru de Beaujolais. Ali a Gamay reina em toda sua plenitude nos dando vinhos frescos, frutados, complexos e estruturados.  
O Moulin-A-Vent AOC é assim e apresenta lágrimas pronunciadas revelando-se muito untuoso e gordo. Se é que podemos dizer que é carnudo. Sua vocação gastronômica é marcante, denotada pela acidez presente e abundante.
O seu teor alcoólico é de 13,0%, mas não demarca território deixando-o levemente elegante e agradável de degustar. 
Os sabores de violetas e framboesas são marcantes e interessantes. 
A Gamay é uma uva leve de cascas finas e a passagem por madeira deixou o Moulin complexo, estruturado. Essa passagem adicionou um sabor terroso típico dos vinhos franceses de alta gama. Não é á toa que a AOC é uma das mais importantes de Beaujolais. 
Um vinho muito especial, medianamente encorpado e exclusivo que poderá evoluir muito ainda na garrafa. É um vinho de guarda. 
Deixa um final longo e agradável. 

Esta é a minha opinião.

terça-feira, 24 de outubro de 2017

DFJ 2008

DFJ 2008
FlávioMPinto
Um belíssimo vinho português de Tinta Roriz e Merlot. A Merlot é mais uma cepa universalista que está se intrometendo nos blends portugueses com sucesso. 
Um tinto bem escuro e perfumado com aromas salientes de hortelãs, mas de forma suave, bem delicadamente. Lágrimas parcimoniosas indicam sua untuosidade e vocação para guarda. 
Na boca, as  hortelãs se misturam com mentas e a suavidade da Merlot se faz presente tornando o vinho muito agradável de ser degustado. Muito picante com nuances de eucalipto.
Um vinho regional da região de Lisboa, uma das mais importantes de Portugal e onde reina a Tinta Roriz.
Os 13,5% de álcool junto com as lágrimas confirmam sua vocação de guarda assim como seu estado de conservação de mais de dez anos na garrafa.
Um vinho muito elegante e equilibrado. Firme, de taninos bem definidos. 
Os vinhos portugueses, na minha opinião, possuem duas características básicas: preços competitivos e qualidade. Pode-se degustar qualquer vinho português sem sustos.
Deixa um retrogosto muito marcante, longo e definitivo.

Esta é a minha opinião.

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

EU QUERO UMA D.O. PALOMAS!

EU QUERO UMA D.O. PALOMAS!
FlávioMPinto
Já se sabe que uma designação geográfica a um produto dá um upgrade muito grande. Condições climáticas, de solo, de personalidade do povo, fazem a diferença no marketing ao se promover determinado produto. Na Europa, com destaque para a França, a primeira Appellation d’Origem Controlée-AOC - foi a de Châteauneuf du Pape no vale do Rhône em 1930. A partir daí virou febre e os maiores vinhos franceses começaram a ser reconhecidos por sua indicação de procedência- a AOC.
No Brasil, não sei porque cargas d’água , a matéria foi subdividida em dois segmentos- a Denominação de Origem e a Indicação de Procedência. Talvez para colocar mais alguém “mamando”,  ou complicar mais o processo,  bem ao gosto tupiniquim.
A pequena Palomas foi a primeira área identificada nos seus produtos pela extinta National Distillers, lançando a marca Almadén, a partir do distrito de Sant’Ana do Livramento-RS. 
Foi o embrião nacional de uma AOC brasileira. As linhas de vinhos da grife Palomas, marcaram a indústria vinícola nacional, pois sua qualidade indiscutível o colocava no mesmo nível das marcas estrangeiras existentes no Brasil, na época.
A começar pelo rótulo de padrão internacional, padrão francês, muito distinto e que apresentava informações e itens inexistentes nos rótulos brasileiros.
A resposta do mundo vinícola de vinhos finos brasileiros foi imediata elevando a Almadén á marca mais querida, a mais desejada, a mais confiável e prestigiada, contemplando-a a com 40% do mercado de vinhos finos no país. 
Sim, uma pequena vinícola de Sant’Ana do Livramento contra e desbancando as grandes vinícolas da região tradicional da Serra gaúcha. 
A ciumeira e a inveja foram enormes ante o sucesso da pequena Almadén e perdura até hoje com a indústria da Serra gaúcha renegando o terroir da região da Campanha, mais particularmente de Santana do Livramento, ao adquirirem uvas na região e se furtarem em informar o terroir nos seus rótulos. No entanto, inúmeras vinícolas da Serra, adquirem oficialmente uvas da região de Sant’Ana do Livramento, colocando como se fosse terroir da Serra gaúcha, ou então, genericamente como região da Campanha. Ora, terroir é uma região/área muito pequena e não uma vasta área de aproximadamente 900 km por 250 indo de Caçapava do Sul á Uruguaiana no Rio Grande do Sul. É o equivalente ao Médoc francês.
Não é de hoje que se sabe que a região de Sant’Ana do Livramento na Campanha gaúcha é uma das mais promissoras e últimas áreas mundiais para produção de uvas finas. 
Também se sabe que, a atual dona da marca Almadén e de seus produtos e vinhedos, o Miolo Group, da Serra gaúcha, literalmente destruiu a empresa reduzindo-a, numa canetada, ao canto mais esquecido e desprestigiado do grupo, colocando-a, arbitrariamente, na base de uma pirâmide de qualidade de seus vinhos e espumantes. Foi, o Miolo Group, na contramão da indústria mundial de vinhos que busca a qualidade e sofisticação ao seguir a linha de vinhos baratos e de pouca qualidade.
Se os donos dizem que o produto carece de qualidade, ou é o pior do seu mix de produtos, quem vai comprar? 
Um monumental erro de marketing da Miolo relegando ao ostracismo quem era a mais considerada indústria de vinhos finos do Brasil e responsável por ensinar os brasileiros degustar vinhos de qualidade, produzindo vinhos de reconhecida qualidade.
Anos de pesquisas e respeito jogados fora e muito dinheiro também! A Miolo perdeu mais do que ganhou, pois o mercado de vinhos é nome e qualidade. Indiscutivelmente!
Quem consumiu produtos antigos da Almadén, como eu, sabe o que foram aqueles vinhos e espumantes. Plantações de cepas  inéditas no mercado nacional simplesmente desapareceram.
E aí, agora,  ressurge Palomas, aos poucos, se impondo na última Avaliação dos Vinhos nacionais com seu Chardonnay, que a muito tempo conhecíamos pela qualidade assim como o Tannat Vinhas Velhas, o Gewurztraminer e o Sauvignon Blanc,  a mostrarem  seu valor renegado por seus novos donos.
Que a Miolo reconheça seu brutal erro histórico e lance no mercado vinícola nacional a AOC Palomas, com prestígio ainda abalado, mas em vigor em termos de reconhecimento de qualidade.
Que Palomas recupere o prestígio que a renomada vinícola tinha no, mercado vitivinícola nacional, pois “quem foi rei sempre será majestade!”

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

RAPARIGA DA QUINTA SELECT 2014

RAPARIGA DA QUINTA SELECT 2014
FlávioMPinto
Um vinho muito querido em Portugal. É do Alentejo. 
De Trincadeira, Aragonez e da intrometida  Syrah, que já se esparrama em terras lusas, como se fosse sua, e com muito sucesso nos blends lusitanos. 
A Syrah foi introduzida em Portugal pelos Templários a séculos e juntou-se as uvas autóctones com denodo e galhardia.
De lágrimas generosas,  aromas de flores e framboesas, o Quinta da Rapariga se apresenta.
Agradável, sedutor, um parceiro agradável para uma conversa solo.
Um vinho moderno , mas com alma antiga evocando todo passado vinícola português. 
Agradável,  pouco amadeirado, o seu teor alcoólico não passa ao conjunto-13,5%-  deixando-o bem amigável e gastronômico. Na realidade deixa uma leve sensação alcoólica, mas que não domina.
Medianamente encorpado, é elegante e equilibrado, com acidez e álcoolico.
Um vinho bem português, ou seja, de excelente relação custo -benefício, muito fácil de se gostar. Não é complicado entendê-lo.
Os portugueses, um dos povos que produzem vinhos a mais tempo, a milhares de anos, volume e qualidade é com eles. “Brigam“ com os franceses e italianos anualmente pela liderança mundial nesses itens.
Os portugueses conseguem a proeza de vinificar todas as 347 cepas registradas e catalogadas no país. Um mix para todos os gostos, brancos, tintos e as maravilhosas da região do vinho verde.
Até hoje não consigo entender o porque dos colonizadores portugueses não haverem trazido essa expertise para o Brasil.
Mas o Quinta da Rapariga é um excelente vinho e deixa um final longo competente.

Esta é a minha opinião.

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

O VINHO ELEGANTE

O VINHO ELEGANTE
FlávioMPinto
O linguajar dos vinhos é um tanto pedante para quem não está acostumado. Muitos acham quem fala essa linguagem meio esnobes… mas é assim que se comunicam os enólogos, enófilos e sommeliers entre eles e com o público.
Pode um vinho ser elegante? mas como assim?
Desfile em passarela? mas como?
A elegância do vinho compreende a conjunção algumas características entre as quais se destacam o equilíbrio, a harmonia e a delicadeza.
O equilíbrio é a percepção de sabores, principalmente no final de boca, que não devem assaltar as papilas gustativas do degustador. Nenhum sabor deve se sobrepor sobejamente sobre os outros caso hajam. 
Nos vinhos tintos, o equilíbrio é o balanceamento entre o teor alcoólico, a acidez, os taninos e os sabores concentrados.
Nos brancos os taninos são substituídos pela doçura. Um aspecto interessante é que o teor alcoólico nos brancos que dá sua longevidade!.
A harmonia se dá quando nenhum fator se destaca  a mais roubando a cena.
E a delicadeza é o modo como o vinho ataca as papilas gustativas. 
A elegância é uma das principais características dos grandes vinhos.
O que contrapõe ao equilíbrio, principalmente, é a tanicidade que gera um amargor, a doçura demasiada e o teor alcoólico.

Um vinho desequilibrado é terrível. Desagradável, mas tem gente que gosta, o que vamos fazer?

domingo, 8 de outubro de 2017

VIEJA PARCELA CATA MAYOR RESERVA DE LA FAMILIA CABERNET FRANC 2005

VIEJA PARCELA CATA MAYOR RESERVA DE LA FAMILIA CABERNET FRANC 2005
FlávioMPinto
Um vinho para ser tratado com cuidados por sua idade. Os Cabernet Franc franceses tem a característica de guarda, são longevos, mas este uruguaio é uma incógnita.
Decantei-o com todo cuidado e vi a quantidade de borras e lágrimas generosas que se formaram no Decantador. A cor não assustava por sua idade: era meio atijolado nas bordas e  fiquei temeroso da decantação acabar com o sonho dele.
Exalava aromas amadeirados e extremamente agradáveis de frutas vermelhas  como morangos, framboesas, algo de compotas, tabaco, e chocolates nada indicando sua idade. Apenas a cor. Os aromas já indicavam um vinho muito especial. Para um iniciado, ás cegas, poderia concluir que estava diante de um francês do Pomerol por seu perfume suave de frutas com canelas e cravos em calda e o aroma de hortelãs e flores bem salientes.
Na boca revelou- se por completo.   
Pouco alcoólico , mesmo com os 13,5%, o tempo e o confinamento amenizaram o teor e que ele não passa ao conjunto, mas deixou marcas.
É um vinho equilibrado, elegante com fantástico equilíbrio entre o alcool e os taninos salientes.
Sabores mentolados e achocolatados brilham a cada gole dando um ar muito distinto. 
Cálido, envolvente, muito sedutor, é mais indicado para um voo solo acompanhado de uma boa música. 
Um vinho uruguaio das Bodegas Castillo Viejo, de San Jose.
Deixa um final cálido,  longo e mentolado.
Um vinho de guarda que resistiu muito bem aos quase  15 anos embotellado, como diriam seus produtores. 
Resistiu bem ao tempo preservando características importantes da cepa. 
Deixa um final frutado e marcante.

Esta é a minha opinião
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