domingo, 28 de agosto de 2011

CAVE VINHOS DA CAMPANHA

CAVE VINHOS DA CAMPANHA
FlávioMPinto
Tive a oportunidade de conhecer a Cave dos Vinhos da Campanha, loja montada no subsolo do edifício do Palácio do Comércio em Livramento.
Patrocinada pela Associação dos Produtores de Vinhos da Campanha abriga todas as vinícolas da região da Campanha, que dispõem seus produtos a bons preços.
Vale a pena conhecer e adquirir os produtos da mais nova fronteira vinícola do Brasil, que, algumas vinícolas, já nas primeiras safras, despontam com produtos de muito boa qualidade.
Como diz o ditado” não basta botar o ovo, tem de anunciar”.
A localização da loja, num dos pontos mais tradicionais da fronteira, próximo da linha divisória, ponto de passagem obrigatória dos freqüentadores dos freeshop, faz parte da campanha de divulgação dos vinhos por parte da Associação.  
O marketing é parte do esquema de vendas como em todo negócio e não seria diferente com os vinhos da Campanha. E ali os funcionários parecem estar bem familiarizados com as vinícolas.
O caso é que os inimigos em potencial estão no outro lado da fronteira: os vinhos sulamericanos dos freeshop! A maioria não compete com qualidade e sim no preço e daí um desafio aos organizadores da mostra. E os incautos caem no conto. É tal qual a guerra calçadista dos produtos brasileiros contra os chineses.
Uma guerra inglória? Talvez, se considerarmos que esse quadro também se reflete dentro do nosso país onde os vinhos nacionais são sobretaxados e os estrangeiros, uruguaios, chilenos e argentinos, isentados. Os fazedores de leis nacionais punem com severidade o produto nacional na competição com o estrangeiro.
No entanto, e pelo que observamos, os produtores nacionais não se intimidam com essa proteção aos seus inimigos e melhoram a qualidade de seus produtos a olhos vistos.
Vencerão? A loja de vinhos-a Cave- já é um bom caminho.

QUALIDADE VERSUS PREÇO NO VINHO

QUALIDADE VERSUS PREÇO NO VINHO
FlávioMPinto
Uma das coisas que mais se busca no universo dos vinhos é o custo-benefício. Adequar-se o preço do vinho ao nosso gosto. Ou vice-versa.
É difícil encontrar o balanceamento adequado nessa questão.
Nem sempre o mais caro é o melhor nem o mais barato apetece. Sequer descem  na garganta, muitas vezes. Só uma constante prática nos dá o equilíbrio.
Tem-se de conhecer, primeiro, o que se quer e depois procurar a vinícola. Ou vice-versa. Vinícolas confiáveis produtos idem. Escolha um ponto de partida e vá.
Se bem que toda compra de vinhos é uma jornada no escuro, em princípio. E comprar gato por lebre é o que não se deseja.
Conhecer um mínimo das variedades e das vinícolas é de bom alvitre. Um vinho tinto ou branco ou até mesmo um rosé. Jovem ou maduro? Brasileiro ou europeu? Chileno, argentino...Cada um tem seu preço e peculiaridades. Os brasileiros tendem a apresentar uma maior jovialidade, os europeus uma complexidade ímpar com aromas distintos e marcantes, os chilenos uma variedade grande e os argentinos um corpo mais pronunciado. No entanto, nesse espectro encontramos inúmeras variedades e gostos para tudo.
O que se tem da fazer é praticar o saudável ato de beber vinhos com a moderação e requinte exigidos.
Sentindo o vinho e conhecendo, degustando e desfrutando,  esse é o caminho.
Adequar-se o preço e gosto passa, então, obrigatoriamente, pelo conhecimento.
Um bom conselho é o de não começar pelos vinhos mais complexos, europeus, mais caros. E saiba que pular etapas não é bom para o aprendizado.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

CASA VALDUGA IDENTIDADE ANCELOTTA 2006

CASA VALDUGA IDENTIDADE ANCELOTTA 2006
 A
Casa Valduga dispensa comentários. É uma grande vinícola e produz vinhos de alta qualidade.
Assim como toda grande vinícola da Serra gaúcha, expandiu-se para a região da Campanha, rendendo-se ao melhor terroir da mais nova fronteira vitininícola, já em fase de afirmação. Estabeleceu-se em Encruzilhada do Sul e de lá nos brinda com vinhos diferenciados fugindo das castas tradicionais.
Este Ancelotta é um deles.
De cor violácea forte, de cara nos apresenta lágrimas parcimoniosas e persistentes
mostrando seu teor alcoólico-13% e sua viscosidade.
Aromas de frutas vermelhas e cassis ressaltam-se.
Na boca mostra-se confirmando seus aromas  e ainda violetas( conheci esse aroma/sabor em Paris num sorvete), muito presentes também na evolução na taça. Sabores de framboesa e cassis são persistentes. Encorpado e marcante, deixa uma agradável persistência.
Uma excelente alternativa e companhia para quem quer fugir das uvas mais tradicionais.
Acredito ser um vinho com potencial para envelhecimento.
Esta é minha opinião.

VINHOS GAÚCHOS

OS VINHOS GAÚCHOS
FlávioMPinto
As seguidas degustações nos indicam que o vinho gaúcho( para não dizer o brasileiro, visto que mais de 90% da produção é daqui)  está no mesmo nível, e até superior com relação aos de outros países. Não me refiro aos europeus, pois esses estão noutro nível, mas aos sul-americanos e americanos, australianos e sul-africanos, os mais conhecidos e mais recentes. Não há como competir com os europeus. Séculos de cultura agregadas ao marketing atual os fazem imbatíveis.
Contudo, aqui na América , e abaixo do Equador, o caso é outro.
A vitivinicultura brasileira(gaúcha) progride a olhos vistos. Em progressão geométrica no que se refere a qualidade e visão de comercialização.
Não temos uvas autóctones como os franceses, italianos e portugueses, mas conseguimos grandes resultados com as uvas de maior sucesso internacional. Merlot, Cabernet Sauvignon, principalmente. O vinho brasileiro ainda perde para seus rivais sulamericanos, não pela qualidade, mas pelo preço. Mas numa terra onde até o Lada fez sucesso....
Combinando um momento mágico entre a vontade e dedicação dos vinicultores com o aumento brutal do mercado do vinho nacionalmente, onde mais e mais pessoas buscam conhecê-lo e degustá-lo, e porque não consumi-lo.
E surge a oportunidade de experimentação de novas variedades.
O Rio Grande do Sul ainda possui um potencial muito grande a ser explorado. Sempre digo que a região da Champagne francesas é idêntica a Campanha gaúcha com clima próximo e por aí vemos onde deve caminhar a uva gaúcha.
A cada dia surgem novas vinícolas desbravando novos terroirs na Campanha nos propondo vinhos de qualidade indiscutível. Já nas primeiras safras colhidas e vinificadas.
A Campanha substitui a Serra e a pecuária gerando novos produtos, empregos, tecnologia, e é a nova fronteira vinícola.
Trabalho e novos ventos a aproveitar!

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

O VINHO DE 100 DÓLARES

O VINHO DE 100 DÓLARES
FlávioMPinto
A muito tempo havia dito que jamais compraria um vinho caro. De 100 dólares, nem pensar.
Contudo, o tempo, nosso amigo de todas as paciências, a aquisição de conhecimentos na área me fizeram recuar no meu pensamento. Recuar no modo de dizer. O que tive foi um upgrade nas minhas escolhas.
Aos poucos fui comprando vinhos um pouquinho mais caros do que da última vez e , é claro, o paladar foi se apurando.
Posso garantir que ganhei um leque de opções que jamais havia imaginado. A todo preço para todas as ocasiões. Aliás, aprendi a me prevenir, por exemplo, desde que surpreendi minha mulher quase abrindo um Bordeaux para fazer molho. Guardo sempre um para tal. Me recordo de um caso que , um cidadão ao receber um vinho francês de aniversário, comentou que sua mulher faria um “baita de um sagu com ele”.
Os vinhos mais caros são mais complexos, mais estruturados, nos levam mais longe na imaginação.E deixam rastros. Lembranças. Muitas saudades. Tem história.
Você já se imaginou bebendo um Mouton Cadet Réserve? Um Brunello di Montalcino? Um Barbaresco? Ou dirigindo uma Ferrari ou um Rols Royce?
Daí os grandes vinhos custarem caro, muito caro.
Dizer que vale a pena degustar essas iguarias é como cada um medir o tamanho de suas possibilidades, da sua capacidade de enfrentamento.
Um vinho bom necessariamente não é caro. O vinho ótimo é aquele que nos agrada em cheio e satisfaz plenamente em cada ocasião.
Eu mesmo, estou guardando um Château Margaux para meu aniversário . O preço não digo para não me chamarem de exibido.
Acredito que momentos especiais valem por cada centavo pago no vinho especial. São momentos inesquecíveis. E devemos estar preparados para eles.
Veja que temos um longo caminho antes de chegar a um vinho de 100 dólares.
Isso para quem quer viver o momento, o vinho. Quem não quer ou não sente nada, simplesmente vá na loja, pague e beba tal qual um copo de água!

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

CAMPOS DE CIMA RUBY CABERNET 2008

CAMPOS DE CIMA RUBY CABERNET 2008
FlávioMPinto
É reconhecido que videiras dão frutos em qualquer lugar com um mínimo de estrutura da terra. No entanto, só os grandes vinhos saem de videiras com terrenos e climas generosos-é o terroir.
Hoje, desbrava-se mais um terroir na Campanha gaúcha: lá pelos lados de Itaqui, na parte oriental da região, surgem as espaldeiras da Vinícola Campos de Cima. São apenas 15 hectares  no autêntico terroir da Campanha: frio e úmido no inverno e quente e seco no verão, temperados pelo Minuano.
É uma vinícola familiar pequena, onde seus donos a definem como “ um lugar onde cada garrafa guarda uma perfeita identidade com as características  e tradição da região”. De acordo com o folder da vinícola,  as videiras localizam-se em solo profundo, bem drenado, muito poroso, friável e bem estruturado.  Mais uma vinícola onde a pecuária reinava.
O Ruby Cabernet, feito com uma uva de mesmo nome, que é uma variedade  da Carignan francesa no solo gaúcho feita pela EMBRAPA,  é um varietal interessante. A defino como a Carignan gaudéria.
De cara sua cor violácea  nos dá boa impressão, o aroma herbáceo e as lágrimas indicam um vinho sedoso, macio. Na boca apresenta-se da mesma forma: macio, sereno,  frutado com aromas de frutas vermelhas frescas, principalmente cerejas, baunilha e de tostados revelando seu hibernamento antes de ser comercializado. Encorpado e persistente no final. Gostei da evolução na taça revelando aromas de violetas, defumados e até de cedro. Seu teor alcoólico-12%- o deixa um assemblage tranqüilo, fácil de beber. Um vinho pronto para ser degustado.
Esta é a minha opinião.

VINHO, UMA BOA COMPANHIA

VINHO, UMA BOA COMPANHIA
FlávioMPinto
Dia chuvoso, frio, péssimo para caminhar, um bom almoço em família, dia propício para ficar em casa lendo e curtindo um bom livro ou assistindo TV. Ou até só conversando.
Nestas horas solitárias surge o vinho: um silencioso amigo para horas de reflexão.
Pode ser um bom tinto, rubi e encorpado nos trazendo suas verdades que varam séculos. Um branco com seu frescor  e jovialidade nos alegrando. Um agradável rosé com sua fragrância inconfundível nos trazendo bons fluídos para melhorar o dia. Ou então um esfuziante champagne ou espumante com suas borbulhas e sua cor dourada para clarear nossa mente e amigo para todas as horas.
De fato, o vinho é uma boa companhia. Não nos exige nada além de o desfrutarmos com tudo que temos direito.
Um vinho desperta emoções, aguça os sentidos, agrega companhias. Não nos deixa sós. Nós o despertamos de sua letargia na garrafa e ele nos brinda com sua companhia silenciosa, prazeirosa.
Embora mudo, sua cor brilhante e suas lágrimas já começam a nos dar um recado de como ele se comporta.  Nos chama para a reflexão, para uma conversa a dois.
Mas o que significa essa presença? Esotericamente, deve ser visto como um elemento profético, manifestação sagrada nas Escrituras que o apontam, juntamente com o pão, os elementos principais da Ceia do Senhor.
É o sangue de Cristo que simboliza o combustível de nossa alma.
Que boa companhia temos, não?

domingo, 14 de agosto de 2011

BUENO PARALELO 31

BUENO PARALELO 31
FlávioMPinto
Poucos não o conhecem. Com certeza alienados. Mas seu lado de vinicultor aflorava a cada vez que abria um vinho. Galvão Bueno, reconhecido narrador esportivo, acabou comprando terras na região de Candiota-RS  e fixou seus vinhedos por lá.
Notou-se sua experiência de enófilo na escolha do local e das videiras.
Este Bueno Paralelo 31 é um dos primeiros frutos da união de Galvão Bueno, através da Bueno Bellavista Estate e a Vinícola Miolo com a assinatura do renomado enólogo Michel Rolland, mas ainda com uvas da Miolo.
O terroir já é conhecido: fica na Campanha Gaúcha, mais especificamente em Candiota, cidade carvoeira perto de Bagé. O vinho-um assemblage de Cabernet Sauvignon(60%), Merlot(30%) e Petit Verdot(10%) - segue a linha Bordeaux . No entanto, as diferenças de terroir, processos de vinificação e anos de cultivo resultam num vinho completamente distinto. Obviamente. Aqui tudo é novo, e a partir daí podemos entender o Paralelo 31 como um vinho pouco frutado, leve, até delicado.
De cor rubi intensa e com aromas sutis de tostados e frutas vermelhas. Lágrimas generosas.
De corpo médio, não deixa muita persistência na boca, mesmo sendo um vinho elegante e bem estruturado. Desce macio.
Um bom vinho, mas vamos esperar 2014 com o lançamento da safra com uvas próprias.
Esta é a minha opinião.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

VINHO: UM DIA VOCÊ AINDA VAI SE APAIXONAR POR UM!

VINHO: UM DIA VOCÊ AINDA VAI SE APAIXONAR POR UM!
FlávioMPinto
Que a cultura do vinho extrapola a própria ingestão da bebida é um fato.
Normalmente, quem cultua o vinho gosta de viajar, bons livros, bons amigos, bons papos, são pessoas diferenciadas. Os japoneses num recente estudo associam á inteligência.
Não é apenas o ato de colocar o sacarrolhas, retirar a rolha, despejar o líquido num copo e beber. É muito mais do que isso. É um evento que inicia seriamente com a escolha da bebida. Muitos não se dão conta que é um verdadeiro ritual. Não é a toa que o vinho é uma bebida mítica. Única.
Para os que se iniciam nesse mundo  são descortinados a cada passo inúmeros prazeres ainda desconhecidos. Um mundo diferente e verdadeiro a cada descoberta.
Vinho combina com bom gosto. E também paixão. Uma paixão que aos poucos toma conta do aficionado obrigando-o a buscar cada vez mais conhecimentos. É uma viagem sem retorno.
Inspire-se, deveria ser a primeira palavra a ser pronunciada por quem está prestes a beber uma taça de vinho. Segue-se a elegância do ritual.
Presencie a atmosfera da bebida mirando-se no reflexo de sua cor púrpura.                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                              
Rode a taça sentindo os aromas liberados e imagine o que se passava quando o vinho foi feito. Que seja um ano, dois, cinco, dez e até mais em vinhos bem conservados.  E mergulhe na história.
Saiba que o vinho não mente! O tempo, nosso amigo, azeda os maus e melhora os bons, diz o ditado e é uma alegria e satisfação abrir a garrafa de um Porto cinqüentão.   Dito isso, meu amigo, abra uma garrafa de um vinho e deixe seu espírito viajar no tempo na busca de prazeres incontidos.  E esquecidos no fundo de sua mente.